Monitoramento de tubarões-tigre no Sudeste: o que sabemos sobre suas movimentações no litoral do Rio de Janeiro

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Tubarão-tigre no Sudeste: quais são os riscos da espécie agressiva de tubarão monitorada pela 1ª vez no Rio

Considerada uma das espécies mais agressivas do mundo, o animal passou a ser observado com frequência na Baía de Ilha Grande, no litoral sul do Rio de Janeiro, após relatos de pescadores e barqueiros.

DE primeira vez, cientistas monitoram tubarões-tigre na região Sudeste

DE primeira vez, cientistas monitoram tubarões-tigre na região Sudeste

DE primeira vez, cientistas monitoram por satélite a presença de tubarões-tigre na região Sudeste do Brasil. Considerada uma das espécies mais agressivas do mundo, o animal passou a ser observado com frequência na Baía de Ilha Grande, no litoral sul do Rio de Janeiro, após relatos de pescadores e barqueiros da região.

O tubarão-tigre é comum no litoral de Pernambuco, onde há registros de ataques fatais. Agora, pesquisadores querem entender por que a espécie tem sido vista com mais regularidade no Sudeste e se há ligação entre esses grupos e os que vivem no Nordeste.

PRIMEIROS REGISTROS E MONITORAMENTO INÉDITO

Moradores da região relatavam a presença de um tubarão conhecido como tintureiro, que hoje é reconhecido como o tubarão‑tigre. Para surpresa dos biólogos, os animais não chegaram recentemente: “Na verdade, eles sempre estiveram aqui. Agora a gente está enxergando eles mais”, afirma uma pesquisadora do Instituto Pro Shark.

Em janeiro, pescadores levaram a equipe ao local onde os tubarões costumam ficar. Ali, os cientistas conseguiram capturar e marcar dois indivíduos:

– Gaspar, medindo 1,80 m
– Baltazar, com 2,08 m

Ambos receberam uma antena de monitoramento acoplada à nadadeira dorsal, capaz de enviar dados de posição e temperatura da água quando o animal sobe à superfície.

CIRCULAÇÃO EM GRUPO DENTRO DA BAÍA

As primeiras semanas de monitoramento revelaram um comportamento inesperado: apesar de serem considerados solitários, os tubarões‑tigre estavam em grupo. “A gente conseguiu perceber a presença de pelo menos dez bichos juntos”, dizem os pesquisadores.

AUSÊNCIA DE REGISTROS DE ATAQUES

Apesar da fama da espécie, não há histórico de ataques dentro da Baía de Ilha Grande. Especialistas explicam que o ambiente é considerado equilibrado, com abundância de alimento e áreas de proteção ambiental, o que reduz o risco de incidentes.

O maior perigo, segundo os especialistas, ocorre quando pessoas “sem informação entram na água ou tentam interagir com os animais”. Por isso, a equipe evita divulgar com precisão os locais onde os tubarões circulam, para proteger tanto os animais quanto os visitantes.

HISTÓRICO DE ATAQUES EM PERNAMBUCO

A comparação com Pernambuco reforça o alerta. Em 34 anos, foram registrados 82 ataques e 27 mortes no litoral do estado, principalmente na região metropolitana do Recife. Pesquisadores associam os incidentes a fatores como poluição, esgoto lançado no mar, mudanças nas correntes marítimas e presença de canais naturais usados pelos tubarões durante a reprodução.

Um dos casos mais graves ocorreu em Jaboatão dos Guararapes, onde uma adolescente perdeu parte do braço após ser atacada por um tubarão-tigre. A área é considerada de alto risco e recebeu placas de advertência ao longo da orla.

Segundo especialistas, o monitoramento no Rio pode ajudar a entender por que a espécie se comporta de forma diferente em regiões distintas do país. E quanto mais animais forem marcados, mais informações teremos sobre deslocamento, comportamento e possíveis riscos.

PREVENÇÃO E MONITORAMENTO CIENTÍFICO

Nos próximos meses, novos tubarões devem receber transmissores. A expectativa é que os dados ajudem a prevenir ataques, orientar políticas públicas e ampliar o conhecimento sobre o impacto das mudanças climáticas sobre os grandes predadores marinhos.

Enquanto isso, a recomendação é clara: respeitar o habitat dos animais, evitar áreas sinalizadas e não tentar se aproximar ou alimentar tubarões. “A convivência segura depende de informação e monitoramento”, afirmam os cientistas.

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