PMs absolvidos em caso de Thiago Flausino, Anistia critica decisão

pms-absolvidos-em-caso-de-thiago-flausino2C-anistia-critica-decisao0A0A

Anistia Internacional Brasil aponta indignação com absolvição de PMs que mataram
Thiago Flausino: ‘Derrota na luta por justiça’

A Anistia criticou a narrativa de tentativa de incriminação da vítima. Decisão de absolvição foi tomada pelo conselho de sentença após dois dias de júri popular no Tribunal de Justiça do Rio. Thiago Menezes Flausino, de 13 anos, morto em 2023.

PMs são absolvidos por morte de adolescente de 13 anos na Cidade de Deus

A Anistia Internacional Brasil emitiu uma nota demonstrando indignação com a absolvição dos policiais militares Diego Pereira Leal e Aslan Wagner Ribeiro de Faria das acusações de homicídio contra o adolescente Thiago Menezes Flausino, de 13 anos, na noite desta quarta-feira (11).

O adolescente foi morto durante uma operação na Cidade de Deus, na Zona Oeste do Rio, em 2023. Eles também foram absolvidos da acusação de tentativa de homicídio contra Marcos Vinícius de Souza Queiroz, que dirigia a moto onde estava o adolescente.

A sentença foi lida pelo juiz Renan de Freitas Ongaratto do 2º Tribunal do Júri, após a decisão do conselho de sentença.

“Além da dor da perda e da absolvição, chamou atenção durante o júri o deslocamento do foco do julgamento. Em vez de se concentrar nas circunstâncias da morte e na conduta dos acusados, houve tentativas reiteradas de questionar a vida e a memória de Thiago, associando sua imagem à criminalidade como forma de justificar sua execução. Essa inversão, que transforma a vítima em alvo de julgamento, desvia o debate do que está em análise e fere o direito à memória, à verdade e à justiça”, afirma a Anistia.

“Quando o foco do júri se desloca para a vida da vítima, e não para a conduta dos acusados, há uma inversão grave. O réu é quem está sendo julgado e não o menino que foi morto. Questionar a trajetória de Thiago não contribui para a justiça; ao contrário, perpetua a violência e atinge seu direito à memória e à dignidade”, complementa.

A Anistia destaca ainda a dor das mães que passam por essa situação, principalmente mulheres negras moradoras de territórios vulnerabilizados pela violência policial e mães de vítimas da violência do Estado.

A instituição diz ainda que, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, entre 2015 e agosto de 2025, ao menos 56.396 pessoas foram mortas em ocorrências classificadas como homicídios por intervenção policial. Dessas vítimas, 82,7% eram negras e 71,7% eram jovens.

“A história de Thiago é o retrato de uma realidade que atinge de forma desproporcional crianças e jovens negros no Brasil, em um contexto de política de segurança pública marcada por práticas violentas e racistas. Todas essas mortes poderiam ser evitadas com uma política de segurança pública que colocasse a vida no centro de sua atuação. É urgente interromper a lógica de militarização e a narrativa de ‘guerra às drogas’, além de garantir a responsabilização criminal, administrativa e cível de todos os agentes do Estado envolvidos em operações letais”, complementa.

“A absolvição dos policiais militares representa uma derrota na luta por justiça, memória e reparação. Manifestamos nossa indignação e solidariedade com a família de Thiago. Histórias como a dele não deveriam existir e nossa luta é para que casos como este não mais se repitam”, encerra o posicionamento.

Box de Notícias Centralizado

🔔 Receba as notícias do Diário do Estado no Telegram e no WhatsApp