Relação entre Banco Master e empresa da família Toffoli: esclarecimento do ministro do STF

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Entenda a relação entre o Banco Master e a empresa da família Toffoli

Em nota, ministro afirma que integra quadro societário da Maridt, mas que administração da empresa é feita por parentes — condição que, segundo ele, é permitida pela Lei Orgânica da Magistratura.

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), deixou nesta quinta-feira (12), após deliberação dos demais ministros da Corte, a relatoria do caso do Banco Master.

Mais cedo, ele havia confirmado que integra o quadro de sócios da Maridt Participações, empresa familiar dirigida pelos irmãos do magistrado e que fez negócios com um fundo gerido pela empresa Reag, ligada ao Banco Master.

A relação entre a Maridt e a Reag tem como ponto-chave o resort de luxo Tayayá, em Ribeirão Claro (PR). A empresa da família Toffoli era uma das donas do empreendimento até fevereiro do ano passado.

João Carlos Mansur, fundador e ex-executivo da Reag Investimentos, está entre os investigados na segunda fase da Operação Compliance Zero, que apura um suposto esquema de fraudes financeiras no Banco Master (entenda mais abaixo).

A nota de Toffoli sobre o caso foi divulgada após a Polícia Federal (PF) encaminhar ao presidente do STF, Edson Fachin, um relatório sobre dados do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master. O celular continha menções a Dias Toffoli, relator da investigação sobre o banco no STF.

As menções a Toffoli aparecem em conversas no celular de Vorcaro. O celular foi apreendido na Operação Compliance Zero, da PF, que investiga fraudes financeiras no Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro.

Antes da nota, já era sabido que os irmãos de Toffoli eram diretores da empresa. Agora, Toffoli admitiu também ser sócio, mas disse que seu nome não aparecia nos registros públicos por causa da natureza da instituição, uma sociedade anônima de capital fechado.

Toffoli e os irmãos são sócios da Maridt Participações. Segundo a nota divulgada pelo ministro, trata-se de uma empresa familiar organizada como sociedade anônima de capital fechado, registrada na Junta Comercial e com declarações regularmente apresentadas à Receita Federal.

A Maridt integrou o grupo Tayayá Ribeirão Claro, responsável pelo resort Tayayá, no Paraná, e começou a vender sua participação no empreendimento em 2021. A venda foi concluída em fevereiro de 2025, após duas operações sucessivas.

Tanto o fundo Arleen, que comprou a parte da Maridt, como um outro fundo que era o principal cotista do Arleen, o Leal Fundo de Investimentos em Participações Multiestratégia, eram administrados pela Reag Investimentos.

Fundada em 2013 por João Carlos Mansur, a Reag Investimentos se tornou uma das maiores gestoras independentes do país, sem vínculo com bancos. Ela chegou a administrar R$ 299 bilhões de pessoas físicas, empresas, fundos de pensão e investidores institucionais e foi a primeira gestora de patrimônio a ter ações negociadas na bolsa brasileira.

A Reag teve liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central (BC) no início de janeiro, após ser investigada na Operação Compliance Zero, que apura um suposto esquema de fraudes financeiras no Banco Master.

As apurações sobre a Reag não se limitam ao caso do Banco Master. Em agosto do ano passado, a Polícia Federal deflagrou a Operação Carbono Oculto, que investiga suspeitas de uso de fundos de investimento para lavagem de dinheiro ligada ao PCC. A gestora é apontada nas investigações como responsável por estruturar fundos que teriam sido usados no esquema.

Conforme o DE noticiou nesta quarta-feira (11), o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, entregou ao ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), relatório sobre dados do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O celular continha menções ao ministro Dias Toffoli.

O gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli divulgou nesta quinta-feira (12) uma nota pública em que esclarece sua participação societária na empresa Maridt e nega ter qualquer relação pessoal ou financeira com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, alvo de investigações da Polícia Federal.

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