Desaparecimento de família no RS: PM preso e atual companheira se recusaram a fornecer senhas de celulares
Silvana Germann de Aguiar, 48 anos, e seus pais, Isail Vieira de Aguiar, 69, e Dalmira Germann de Aguiar, 70, não são vistos há mais de 15 dias. Policial militar, que é pai do filho da mulher, foi preso na terça-feira (10).
De, que é pai do filho da mulher, foi preso temporariamente por suspeita de envolvimento no desaparecimento da família Aguiar, há mais de duas semanas, e a atual companheira dele não forneceram as senhas de seus celulares para a Polícia Civil, informou nesta sexta-feira (13) o delegado Anderson Spier, que está à frente da investigação.
O policial militar Cristiano Domingues Francisco, preso temporariamente por suspeita de envolvimento no desaparecimento da família Aguiar, há mais de duas semanas, e a atual companheira dele não forneceram as senhas de seus celulares para a Polícia Civil, informou nesta sexta-feira (13) o delegado Anderson Spier, que está à frente da investigação.
O DE é ex-companheiro de Silvana Germann de Aguiar, de 48 anos. A Justiça decretou prisão temporária do policial após a quebra de sigilo telefônico mostrar o que a polícia considerou movimentação suspeita. A principal hipótese investigada é de homicídio.
A quebra do sigilo telefônico permite à polícia identificar horários e locais em que o telefone foi utilizado, enquanto o acesso ao telefone por meio da senha permite acessar o conteúdo de mensagens e de arquivos armazenados no telefone.
OUTROS PONTOS DA INVESTIGAÇÃO:
– Polícia apreende celular e computador de esposa de DE suspeito
– Antes de desaparecer, mulher denunciou ex ao Conselho Tutelar
“Alguns telefones celulares foram fornecidas as senhas. E dois telefones celulares, do suspeito e da atual companheira dele, que são relevantes e pertinentes para celeridade das investigações, não foram informados quais as senhas para poder acessar”, diz o delegado.
A defesa do suspeito foi procurada pela reportagem e não respondeu até a última atualização. Em nota, na quinta-feira (12), referente à quebra de sigilo do telefone, a defesa do suspeito afirmou que ainda não teve acesso aos autos e à decisão judicial. “Não há como ter qualquer posição. Sei apenas o que está sendo vinculado na imprensa”, disse o advogado Jeverson Barcellos.
A polícia tem indícios de que o suspeito esteve próximo da família Aguiar, principalmente dos pais de Silvana, Isail Vieira de Aguiar, 69, e Dalmira Germann de Aguiar, 70, no dia do desaparecimento do casal — eles sumiram um dia depois da filha. Como Cristiano registrou a ocorrência, ele foi chamado para ser ouvido como testemunha. Após a prisão, ele permaneceu em silêncio durante o depoimento.
A prisão temporária do suspeito tem prazo máximo de 30 dias. Em nota, a Brigada Militar informou que Cristiano será afastado do serviço policial. A investigação é acompanhada pela Corregedoria-Geral da corporação.
Silvana e o ex-marido não tinham uma boa relação, o que poderia ter motivado o crime. Eles têm um filho de 9 anos. A criança morava com a mãe, mas passava os fins de semana na casa do pai. Com o sumiço de Silvana, Cristiano procurou o Conselho Tutelar, que recomendou que o filho ficasse com ele durante as investigações. Agora, ele está com a avó paterna.
Recentemente, Silvana havia acionado o Conselho Tutelar para relatar que o menino tem restrições alimentares. O pai desrespeitava as orientações da mãe sobre a dieta da criança.
O que a polícia apura:
– Sinal de telefonia de Silvana e de Cristiano foram cruciais para que ele fosse considerado suspeito.
– Indício de que o suspeito esteve com a família no domingo do desaparecimento dos idosos.
– Chave da casa dos idosos estava com o suspeito no dia em que ele foi ouvido como testemunha.
Silvana Germann de Aguiar, de 48 anos, e os pais dela, Isail Vieira de Aguiar, 69, e Dalmira Germann de Aguiar, 70, não são vistos desde o final de janeiro. Passados mais de 15 dias, o suspeito do crime foi preso na terça-feira (10).
A perícia encontrou vestígios de sangue na casa de Silvana. O material foi coletado na quinta-feira (5). Também foram periciados dois veículos da família e a casa de Isail e Dalmira.
Conforme o delegado, sangue foi encontrado dentro do banheiro e em uma área nos fundos da residência de Silvana. Não havia sinais de luta corporal nem de montagem de cena no local. “Os peritos entenderam que o local estava íntegro. Não tinha nenhuma alteração que sugerisse alguma espécie de luta dentro da residência”, complementa.
A polícia ainda aguarda os resultados finais das perícias que foram feitas nas casas, no minimercado da família e em imagens de câmeras de segurança que mostram a movimentação nos dias dos desaparecimentos.
A Polícia Civil confirmou que o cartucho encontrado na casa do casal de idosos é de festim. O caso foi discutido em reunião com autoridades nesta segunda-feira (9), em Cachoeirinha.
Áudios do suspeito:
Após a prisão do suspeito, a reportagem teve acesso a materiais atribuídos ao ex-marido de Silvana. Em um áudio enviado a uma conhecida na semana do desaparecimento, o suspeito pergunta sobre a investigação e reclama que demora no trabalho da polícia.
“Na ocasião, a gente aproveitou e perguntou para ele onde ele estava na hora dos eventos. Ele nos relatou que estava jantando com um casal de amigos em um local em Cachoeirinha. Ele ofereceu a versão de que ele estava fazendo um trabalho em uma obra da família, mas esse local não tem como comprovar que ele estava lá”, destaca o delegado Anderson Spier, que está à frente da investigação.
Silvana de Aguiar foi vista pela última vez em 24 de janeiro. Na mesma data, uma publicação em seu perfil nas redes sociais dizia que ela havia sofrido um acidente em Gramado, mas estava bem. Segundo a polícia, o acidente nunca aconteceu e o objetivo da postagem era despistar o desaparecimento. Desde então, seu celular está desligado e ela não fez mais contato.
Os pais saíram para procurar a filha no domingo (25) após a postagem, mas a delegacia distrital estava fechada. Depois disso, eles também não foram mais vistos.
O carro de Silvana foi encontrado na garagem de sua casa, com a chave no interior da residência, o que reforça a tese de que ela não viajou. Imagens de uma câmera de segurança registraram uma movimentação atípica na noite de 24 de janeiro.
Silvana é filha única do casal e mora na mesma região deles. Ela se apresenta como vendedora de cosméticos e trabalha com os pais, que são donos de um pequeno mercado que funciona junto à residência da família. Isail Vieira de Aguiar e Dalmira Germann de Aguiar são descritos como queridos e tranquilos pelos parentes e vizinhos. Eles tinham um bom relacionamento com a filha.




