Conheça estádio raiz do Mineiro que é cuidado por torcedores e tem até pé de manga à beira do campo
Estádio em Patos de Minas é a casa da URT e vai ser o palco de partida decisiva para o Cruzeiro no estadual; estrutura é cenário de clássico tradicional do interior de Minas
Zama Maciel: conheça estádio “raiz” cuidado por torcedores e com pé de manga [https://s02.video.glbimg.com/x240/14338993.jpg]
Adversário que vai definir a situação do Cruzeiro no Campeonato Mineiro, a URT tem como um dos trunfos o Estádio Zama Maciel, em Patos de Minas – chamado de Arena DB nesta temporada por acordo de naming rights. Uma das casas mais tradicionais do futebol mineiro, o “Zamão” é um campo “raiz”, com direito a pé de manga ao lado do campo e manutenção feita por torcedores voluntários.
A URT ainda está invicta jogando em seus domínios neste Campeonato Mineiro. Em três partidas como mandante, o time tem uma vitória e dois empates, com dois gols marcados e um sofrido. Para o jogo contra o Cruzeiro, quase todos os ingressos foram vendidos com antecedência – de acordo com o clube, a carga total era de 5.198 entradas.
Tanto URT quanto o Cruzeiro se garantem na semifinal em caso de vitória, enquanto um tropeço pode eliminar os dois times. A partida será transmitida pelo sportv, com cobertura em tempo real pelo ge (clique aqui para seguir) [https://ge.globo.com/mg/triangulo-mineiro/futebol/campeonato-mineiro/jogo/14-02-2026/urt-cruzeiro.ghtml].
O Estádio Zama Maciel recebeu o nome de um famoso professor da cidade, que também batiza uma escola estadual nas proximidades do campo. O terreno em que foi construído o estádio foi cedido no início da década de 1940 pelo professor à URT, que passou a administrar também estabelecimentos comerciais abertos no entorno do lote.
O estádio está localizado no Bairro Brasil, região residencial da cidade, e é cercado por casas e lojas. Os setores das arquibancadas são identificados de acordo com o nome das ruas às quais são paralelos: Joaquim das Chagas e Avenida Brasil.
Mais do que as arquibancadas em azul e branco, no entanto, o aspecto mais simbólico do Zama Maciel é a mangueira que fica à beira do campo, dentro dos muros do estádio. Não há um consenso entre os torcedores sobre a origem da árvore ou sobre quem a plantou, mas ela se tornou um símbolo do clube e até deu outro apelido ao estádio: “Mangueirão”.
Sobrinho de Zama Maciel, o atual secretário executivo do clube, Moacir Maciel, conta que assistiu ao primeiro duelo entre URT e Cruzeiro no estádio em cima da árvore.
— Como eu não tinha dinheiro para assistir ao jogo na época, eu subi no pé de manga e me escondi lá. Cheguei era 15h da tarde, e o jogo era 19h. Quando vi que começou o jogo, passou um tempo e decidi descer. São coisas que só a URT nos faz passar — relembrou Moacir ao ge.
Com tamanho simbolismo e identificação com o clube, a retirada da árvore do estádio é sequer cogitada. Segundo o clube, a planta não requer grandes cuidados e demanda apenas a limpeza do seu entorno em dias de jogos.
O Zama Maciel é o cenário de um dos dérbis mais disputados do interior do Brasil. O “Clássico do Milho” entre URT e Mamoré foi disputado centenas de vezes e movimenta a cidade a cada edição – Patos de Minas é conhecida nacionalmente pela produção de milho.
No último encontro entre as duas equipes, o Zamão sofreu com o vandalismo. Jogadores do Mamoré destruíram o vestiário de visitante do estádio após perderem para a URT por 1 a 0 pelo Módulo 2 de 2025. O resultado encaminhou o acesso do Trovão Azul à elite e eliminou o Sapo da disputa.
Por causa da instabilidade financeira nos últimos anos, a URT avaliou vender o estádio em algumas oportunidades. Em 2021, o clube recebeu uma proposta de compra do terreno por uma empresa de supermercados. Na época, a estrutura foi avaliada em R$ 38 milhões, mas o negócio não avançou.
Em 2024, a URT precisou fazer um acordo com um dos patrocinadores e cedeu o controle das lojas ao redor do estádio para sanar dívidas. Segundo o presidente do clube, Igor Cunha, a medida foi fundamental para aliviar os cofres, já que as dívidas geravam custo em torno de R$ 60 mil em juros por mês.
O Zama Maciel não é patrimônio apenas da URT, mas se tornou um xodó dos torcedores. Em 2024, o clube reativou a Administração do Estádio Zama Maciel (Adezma) a uma associação composta por voluntários que realizam a manutenção do estádio no dia a dia.
Com mais de seis décadas de construção, o Zama Maciel passou por reforma geral em 2024. Conforme o presidente Igor Cunha, o clube renovou os vestiários, alojamentos, sala da comissão técnica, refeitório, cozinha e os setores do marketing e do administrativo. A Adezma atuou na obra e fez a pintura completa do estádio.




