Primeira noite do Carnaval de São Paulo: brilho, emoção e samba entre estrelas, bruxas e orixás

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Entre estrelas, bruxas e orixás: veja como foi o primeiro dia de desfiles em SP

Na sexta-feira (13), Mocidade Unida da Mooca, Colorado do Brás, Dragões da Real,
Acadêmicos do Tatuapé, Rosas de Ouro, Vai-Vai e Barroca Zona Sul cruzaram o
Sambódromo do Anhembi.

Emoção, choro e muito samba no Carnaval de São Paulo

Emoção, choro e muito samba no Carnaval de São Paulo

Teve brilho na primeira noite do Carnaval de São Paulo. Sete escolas cruzaram o
Sambódromo do Anhembi.

O instante de inspiração. Meses de pesquisa, dias de trabalho. Quanta potência,
magia, riqueza, luta. Quantos astros, sonhos e mistérios.

Quanto dura uma noite de Carnaval? O cronômetro dispara e o tempo ganha muitos
papeis. É critério técnico, é ritmo, história. Corre contra no imprevisto, dança
com alegria, vai dispersar lá na memória. Na avenida, o tempo não passa,
desfila.

DE UNIDA DA MOOCA

A estreia foi da Mocidade Unida da Mooca, pela primeira vez no grupo de elite do
Carnaval de São Paulo. Uma homenagem ao Geledés – o Instituto de Mulheres Negras
contra o Racismo.

> “Para que a gente pudesse trazer na avenida todas essas vozes, que representam
> a negritude do nosso país”, diz Thayssa Menezes – enredista da Mocidade Unida
> da Mooca.

Destaque para as escritoras Helena Teodoro e Conceição Evaristo.

> “Fazendo a nossa luta de resistência e tendo esse resultado”, diz Conceição
> Evaristo, escritora.

DE DO BRÁS

A Colorado do Brás soltou as bruxas. Do filme de terror aos contos de fadas. Na
convenção onde as bruxas se encontram Fabi Bang, a Glinda do espetáculo Wicked.
À frente de tudo isso, o feitiço de uma bruxa urbana.

> “As pessoas acham que bruxaria é do mal, e não é, a bruxaria é uma filosofia
> de amor à natureza”, destaca Tânia Gori, madrinha do samba-enredo da Colorado
> do Brás.

DE DA REAL

Dragões da Real veio com a força da floresta. Contou a história das Icamiabas,
uma aldeia de mulheres indígenas, às margens do Rio Amazonas.

A última alegoria: fogo e destruição falou da luta pela preservação do
meio-ambiente. O resultado de quase um ano de trabalho.

> “A sensação é maravilhosa, né? Porque a gente tá há tanto tempo se preparando
> para esse dia”, comenta Ricardo Negreiros, coreógrafo da comissão de frente da
> Dragões da Real.

DE DO TATUAPÉ

Com o enredo “Plantar Para colher e Alimentar”, a Acadêmicos do Tatuapé levou
para o sambódromo os campos agrícolas e a desigualdade do Brasil.

> “Vamos usar os recursos naturais e aproveitar essa dádiva maravilhosa que Deus
> nos deu que é a terra”, diz Wagner Santos, carnavalesco da Acadêmicos do
> Tatuapé.

Da semente da vida, deu trigo, algodão, legumes e hortaliças e muito samba. Um
contratempo ganhou a cena. O vazamento de óleo num dos carros sujou a pista e
atrasou em quase uma hora o desfile.

DE DE OURO

A atual campeã do Carnaval de São Paulo – a Rosas de Ouro – veio com meio ponto
a menos. Perdeu o prazo para entregar um documento. Para os integrantes, era só
o tempo brincando com a escola.

> “Esse momento aqui, ó, é muito demorado. Lá no meio passa rápido, aí hora que
> eu termino, eu quero voltar”, ressalta Ana Beatriz Godoi, rainha da bateria da
> Rosas de Ouro.

E quando os astros se alinharam no céu, a escola brilhou com o tema da
astrologia. Um samba “escrito nas estrelas”.

DE-VAI

A Vai-Vai levou para a passarela a magia do cinema. Jeca Tatu e o Cangaceiro
participaram da homenagem aos Estúdios Vera Cruz, que ficavam em São Bernardo do
Campo, no ABC paulista. A tradição sindical e a força dos operários da cidade
também foram lembradas.

> “Está todo mundo vestido de operário, vamos representar São Bernardo, onde
> estão as fábricas, aquelas coisas todas”, conta Mestre Tadeu, bateria da
> Vai-Vai.

DE ZONA SUL

A Barroca Zona Sul celebrou Oxum, a orixá das águas doces, que representa
fertilidade e amor. Um desfile brilhante, com referência a elementos aquáticos
inundou a avenida.

> “Oxum é a senhora do ouro, é senhora da fartura, é a senhora dos rios, né?
> Então, é um enredo que ele remete a gente pro amor”, afirma Sueli Silva,
> presidente da velha guarda da Barroca.

E o tempo fez valer toda espera. Segurou o passo. Se revelou no acorde Sustentou
o refrão. Até que se perdeu e o Carnaval, então, aconteceu.

> “Samba é a minha vida! Eu amo isso aqui tudo. Quando acaba, eu fico triste”,
> afirma Silvia Helena Francisco de Souza Silva, costureira.

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