Em julgamento histórico, Zuckerberg afirmou que a Meta não desenvolve mais aplicativos para maximizar o tempo de tela. Essa declaração ocorreu durante a primeira vez que o bilionário fundador do Facebook testemunhou em tribunal sobre o impacto do Instagram na saúde mental de usuários jovens.
No dia 18 de fevereiro de 2026, às 18:37, Mark Zuckerberg, presidente-executivo da Meta Platforms, rebatia em tribunal a sugestão de um advogado de que teria enganado o Congresso sobre o design das suas plataformas de redes sociais. Esse episódio faz parte de um julgamento histórico sobre o vício dos jovens nas redes sociais.
Durante o julgamento, Mark Lanier, advogado de uma mulher que acusa a Meta de prejudicar sua saúde mental quando criança, apresentou emails de 2014 e 2015 nos quais Zuckerberg expunha planos para aumentar o tempo gasto no aplicativo por uma margem de dois dígitos percentuais. Zuckerberg afirmou que, embora a Meta tivesse metas relacionadas ao tempo que os usuários passavam no aplicativo, a empresa mudou sua abordagem.
Essa foi a primeira vez que Zuckerberg testemunhou em tribunal sobre o impacto do Instagram na saúde mental de usuários jovens. O julgamento, que ocorre com júri em Los Angeles, Califórnia, pode resultar em indenizações para a Meta se a empresa perder o caso. Além disso, o veredicto pode minar a estratégia de defesa jurídica das grandes empresas de tecnologia contra alegações de danos aos usuários.
O caso em questão faz parte de uma reação global contra as plataformas de redes sociais devido aos impactos na saúde mental infantil. Países como Austrália e Espanha estão considerando restrições de acesso a redes sociais para menores de idade. Nos EUA, a Flórida já proibiu o acesso de usuários menores de 14 anos, levando associações do setor de tecnologia a contestar judicialmente a medida.
Tanto a Meta quanto o Google negaram as alegações e destacaram esforços para adicionar recursos de proteção aos usuários. O processo em curso serve como um caso teste para outras reivindicações semelhantes contra grandes empresas de tecnologia como Alphabet, Snap e TikTok. Famílias, distritos escolares e estados entraram com milhares de ações judiciais nos EUA acusando as empresas de contribuir para uma crise de saúde mental entre os jovens.
Documentos internos da Meta revelam que a empresa tinha conhecimento dos riscos potenciais das redes sociais. Pesquisas indicam que adolescentes que se sentem mal com seus corpos estão expostos a mais conteúdo relacionado a transtornos alimentares no Instagram. Essas informações foram compartilhadas durante o julgamento, no qual o chefe do Instagram, Adam Mosseri, testemunhou sobre a falta de ligação entre a supervisão dos pais e a atenção dos adolescentes às redes sociais.
O advogado da Meta argumentou que os problemas de saúde da mulher envolvida no processo decorrem de uma infância conturbada e que as redes sociais funcionavam como uma válvula de escape criativa para ela. Esse caso, juntamente com outros processos semelhantes em andamento, representam uma tentativa de responsabilizar as empresas de tecnologia pelos impactos negativos no bem-estar dos usuários, especialmente os mais jovens.




