CEO da Meta alega dificuldade para barrar menores no Instagram
O presidente-executivo da Meta, Mark Zuckerberg, afirmou em um tribunal nesta quarta-feira que é “muito difícil” garantir o cumprimento das regras de idade mínima no Instagram. O depoimento ocorreu no Tribunal Superior de Los Angeles, em um julgamento que discute a responsabilidade de plataformas digitais por supostos danos à saúde mental de jovens usuários.
Segundo informações publicadas pelo jornal Valor Econômico, o executivo foi questionado sobre o número de crianças menores de 13 anos que utilizam o aplicativo. Zuckerberg declarou que a empresa implementou “ferramentas proativas” para identificar e remover contas que violam as políticas da plataforma, mas reconheceu que o desafio persiste devido a um grupo significativo de pessoas que mentem sobre a própria idade.
O julgamento teve início no domingo (9) e envolve uma ação movida por uma jovem de 20 anos que responsabiliza a empresa pela saúde mental de jovens usuários do Instagram. Durante o interrogatório, o advogado da jovem questionou a eficácia dos mecanismos de controle da plataforma em proteger menores, especialmente crianças.
Zuckerberg relatou que houve discussões internas sobre a sensibilidade à privacidade ao exigir a data de nascimento no cadastro de novos usuários. A empresa decidiu adotar a medida como uma forma de mitigar o problema. A Meta argumenta que a verificação etária deveria ocorrer antes do download dos aplicativos, e sugere que as empresas responsáveis pelos sistemas operacionais móveis também compartilham essa responsabilidade.
O caso é visto como estratégico, pois pode influenciar outras ações judiciais contra grandes empresas de tecnologia. Outras plataformas como TikTok e Snap Inc. não estão envolvidas no processo atual, após firmarem acordos confidenciais com os advogados da jovem. O julgamento está previsto para se estender até o fim de março.
Durante o depoimento, Zuckerberg foi questionado sobre as metas da empresa em relação à atração e retenção de adolescentes, levantando a preocupação com o equilíbrio entre interesses comerciais e segurança. A Meta já anunciou medidas para reforçar a proteção de adolescentes, como “contas para adolescentes” e configurações-padrão mais restritivas para menores de 18 anos. A empresa enfrenta críticas públicas por falhas na proteção de adolescentes, mas afirma ter implementado salvaguardas robustas para jovens usuários.




