Expresso Rei de França propõe acordos voluntários diante da crise financeira: entenda a situação dos funcionários.

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Expresso Rei de França, antiga 1001, reúne funcionários para propor acordos
voluntários diante da crise financeira

Reunião ocorreu na manhã deste sábado (21). Parte dos funcionários não aderiu ao
acordo, que não inclui salários e outros valores atrasados.

A empresa DE Expresso Rei de França, antiga 1001, na Estrada da
Maioba, em São Luís. — Foto: Reprodução/TV Mirante

Trabalhadores da Expresso Rei de França, antiga 1001, participaram de uma
reunião na manhã deste sábado (21), em São Luís, quando a empresa apresentou
uma proposta de desligamentos. Parte dos funcionários aderiu ao acordo.

A reunião começou por volta das 9h e foi convocada pela própria empresa. A
circulação de ônibus foi afetada e veículos ficaram na garagem, atingindo pelo
menos 15 bairros da Grande São Luís.

Funcionários relataram que a proposta permite acesso ao Fundo de Garantia do
Tempo de Serviço (FGTS) e ao seguro-desemprego. Segundo eles, salários
atrasados, férias e tíquete-alimentação não estão contemplados no acerto.

Há relatos de que o FGTS não é depositado há oito anos em alguns casos, e não há
definição de como esses valores serão pagos. Nem todos os trabalhadores
aceitaram a proposta. A situação de quem não aderiu ainda não foi esclarecida.

Com os ônibus parados na garagem, passageiros ficaram sem o serviço em trechos
atendidos pela empresa. Uma equipe da TV Mirante foi à sede da Expresso Rei de
França, mas o gerente não concedeu entrevista.

De acordo com funcionários, eventuais valores atrasados deverão ser cobrados na
Justiça. A interrupção atinge moradores de pelo menos 15 bairros da região
metropolitana.

A Expresso Rei de França afirma que não houve decretação de falência, que a
adesão aos acordos é voluntária e que a empresa segue em funcionamento, adotando
medidas administrativas para reorganizar a operação. Leia mais abaixo a nota na
íntegra.

Entre as áreas que continuarão sendo afetadas com a situação da empresa de
transporte coletivo estão Ribeira, Viola Kiola, Tibiri, Cohatrac, Parque Jair. Veja a lista completa:

1. Ribeira
2. Viola Kiola
3. Vila Itamar
4. Tibiri
5. Cohatrac
6. Parque Jair
7. Parque Vitória
8. Alto do Turu
9. Vila Lobão
10. Vila Isabel Cafeteira
11. Vila Esperança
12. Pedra Caída
13. Recanto Verde
14. Forquilha
15. Ipem Turu

“A empresa esclarece que não houve decretação de falência, permanecendo suas
atividades em funcionamento e adotando medidas administrativas necessárias para
a reorganização operacional diante do atual cenário enfrentado pelo sistema de
transporte público urbano.

Na manhã desta data foi realizada reunião com trabalhadores de todos os setores
da empresa, em ambiente transparente e de diálogo aberto, com o objetivo de
apresentar a realidade operacional vivenciada e discutir alternativas
responsáveis voltadas à proteção social dos colaboradores e à continuidade do
serviço prestado à população.

Como medida excepcional e de caráter humanitário, foi apresentada a
possibilidade de adesão voluntária a acordos rescisórios, permitindo aos
trabalhadores acesso imediato a mecanismos legais de proteção social, como saque
do FGTS e habilitação ao seguro-desemprego, garantindo amparo mínimo neste
momento de transição.

A atual situação financeira enfrentada pela empresa decorre, em grande parte,
das dificuldades estruturais vivenciadas pelo sistema de transporte coletivo,
especialmente em razão de atrasos e ajustes realizados nos repasses de subsídios
públicos destinados à manutenção do equilíbrio econômico-financeiro da operação.

Tais recursos possuem finalidade específica vinculada ao custeio da operação e à
manutenção dos empregos, conforme reiteradamente reconhecido em decisões
judiciais de instâncias superiores, razão pela qual oscilações ou retenções
nesses repasses impactam diretamente a capacidade operacional das
concessionárias.

A empresa permanece em diálogo institucional permanente com o Poder Público,
sindicatos e autoridades competentes, buscando a regularização dos fluxos
financeiros necessários à normalização das atividades e à preservação dos postos
de trabalho.

Reafirmamos nosso compromisso com os trabalhadores, com os usuários do
transporte público e com a continuidade de um serviço essencial à cidade”.

HISTÓRICO DE PARALISAÇÕES DA 1001

Nos últimos dois meses, houve três paralisações dos rodoviários da 1001, por
conta dos salários atrasados.

A primeira greve foi iniciada em 14 de novembro de 2025. Na época, a categoria
protestou contra o atraso de salários e pela falta de pagamento do plano de
saúde, tíquete-alimentação e outros benefícios. Com isso, moradores de
aproximadamente 15 bairros enfrentaram dificuldades para se deslocar.

A paralisação durou 12 dias. Os rodoviários voltaram a trabalhar após a
regularização dos salários, que aconteceu por meio de uma determinação do
Tribunal Regional do Trabalho da 16ª Região (TRT-MA), que obrigou a Prefeitura
de São Luís a realizar o pagamento integral de um subsídio que é pago às
empresas de transporte para que seja realizado o serviço de transporte público.

O impasse acontecia porque a prefeitura alegou que os subsídios não são
diretamente repassados aos motoristas para pagamento de salários, conforme
acordo anterior, de modo que não deveria haver greve na categoria.

A segunda paralisação aconteceu em 24 de dezembro, véspera do Natal. A categoria
afirmou que não havia recebido o 13º salário, o adiantamento salarial e o ticket
alimentação. Ao todo, 162 veículos deixaram de rodar.

Os ônibus voltaram a circular só no dia 28 de dezembro, após ser firmado um
acordo entre a categoria e o SET. Ficou definido ainda que não haveria descontos
nos salários nem nos tíquetes-alimentação referentes aos dias parados, na folha
de pagamento de dezembro.

NEGOCIAÇÕES COM AS EMPRESAS

Em novembro de 2025, o Sindicato dos Rodoviários do Maranhão encaminhou ao
Sindicato das Empresas de Transporte (SET) uma proposta de Convenção Coletiva de
Trabalho para o ano de 2026. Desde o início do ano, as entidades realizam
reuniões, mas, segundo o Sindicato dos Trabalhadores, nenhuma contraproposta que
atenda às reivindicações da categoria foi apresentada.

De acordo com o presidente do sindicato, Marcelo Brito, não houve avanços nas
negociações. Ele afirma que a única proposta apresentada pela patronal foi a
criação de convenções coletivas distintas para os trabalhadores do sistema
urbano e do semiurbano, o que foi rejeitado pelo Sindicato dos Trabalhadores em
Transportes Rodoviários no Estado do Maranhão (STTREMA).

Ainda segundo Marcelo Brito, o prazo para o fechamento da nova convenção
coletiva está se encerrando. Caso não haja acordo, os rodoviários avaliam que a
paralisação de todo o sistema de transporte público da Grande São Luís pode ser
adotada.

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