Descoberta de nova espécie de sapo com 13 mm reforça reivindicação de proteção de montanhas entre PR e SC: ‘Ambiente muito único e frágil’
Nova espécie foi descrita por pesquisadores da UFPR. Menores que a ponta de um
lápis, os animais vivem debaixo da matéria orgânica no chão das montanhas da
Mata Atlântica, na Serra do Quiriri.
Descoberta de espécie de sapo reforça reivindicação de proteção da Mata
Atlântica
Com apenas 13,4 milímetros de comprimento, os sapinhos da nova espécie
Brachycephalus lulai carregam a reivindicação de um ecossistema inteiro.
Também chamados de sapinhos-da-montanha, os pequenos animais vivem debaixo da
matéria orgânica no chão das montanhas da Mata Atlântica, na Serra do Quiriri,
na divisa entre Guaratuba, no Paraná, e Garuva, em Santa Catarina.
De uma cor laranja brilhante, com pequenas verrugas marrons e verdes, o
Brachycephalus lulai tem comportamento diurno – o que é incomum entre sapos – e
um coaxar que mais parece o canto de um grilo. O sapinho foi encontrado pela
primeira vez pelos pesquisadores em 2016. A publicação do artigo que descreve a
espécie, porém, é de dezembro de 2025.
Conforme o artigo, nos últimos milhões de anos a região onde o Brachycephalus
lulai foi encontrado passou por drásticas alterações ambientais. Com isso, as populações das espécies originais da região ficaram separadas geograficamente e
passaram por adaptações ao novo habitat, dando origem a novas espécies.
“Eles fazem parte de um ambiente muito único e frágil, o topo de montanhas da
Floresta Atlântica brasileira”, detalha Márcio Pie, do Departamento de Zoologia
da UFPR, um dos pesquisadores que assinam o artigo de descrição da espécie. “Nesses lugares, são predadores de ácaros e formigas e por isso fazem parte da teia trófica, dos animais desse tipo de ambiente”.
Para os pesquisadores, o cenário reforça a necessidade da conservação da Mata
Atlântica, em especial da Serra do Quiriri.
“A gente se preocupa muito com a conservação pelo fato de eles estarem restritos
a um espaço geográfico muito pequeno”, explica Luiz Fernando Ribeiro, professor
e pesquisador convidado do Departamento de Zoologia da UFPR.
Conforme Ribeiro, espécies como esta são consideradas bioindicadores da
qualidade do ambiente, uma vez que são extremamente sensíveis a alterações no
ecossistema.




