Operação Erga Omnes: Polícia mira núcleo político do CV no Amazonas

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Veja quem são os nove suspeitos de integrar ‘núcleo político’ do CV no Amazonas que estão foragidos

Entre os procurados estão Allan Kleber, apontado como líder do grupo, e Núbia Rafaela Silva de Oliveira, ex-assessora parlamentar.

Polícia mira ‘núcleo político’ do Comando Vermelho no Amazonas

DE mira ‘núcleo político’ do Comando Vermelho no Amazonas

A Polícia Civil do Amazonas divulgou, neste sábado (21), as imagens de nove suspeitos considerados foragidos na Operação Erga Omnes, que investiga a atuação do “núcleo político” do Comando Vermelho no estado. Segundo a investigação, o grupo contava com pessoas que ocupavam cargos ou tinham influência em órgãos públicos para facilitar a atuação da facção.

Na sexta-feira (20), durante a operação, a polícia cumpriu 14 mandados de prisão, sendo oito deles no estado do Amazonas. Uma ex-chefe de gabinete do prefeito de Manaus e um servidor do Tribunal de Justiça do estado foram presos.

Entre os foragidos estão Allan Kleber, apontado como líder do grupo, e Núbia Rafaela Silva de Oliveira, ex-assessora parlamentar.

Os procurados são:
– Alexandre Braz Maia
– Allan Kleber Bezerra Lima
– Bismarque de Souza Pereira
– Luana Ferreira Tavares
– Messias Daniel da Silva Alves
– Monique Kelly Galvão de Sousa
– Núbia Rafaela Silva de Oliveira
– Pedro Igor Garcia Rodrigues
– Pedro Sergio Saraiva Rocha Júnior.

Segundo o delegado Marcelo Martins, o grupo usava empresas de fachada para viabilizar o tráfico em diferentes estados do país. “A investigação apontou o envolvimento de ex-assessores que atuavam na área da advocacia, bem como de servidores públicos lotados em setores estratégicos dos órgãos onde exerciam suas funções. Esses agentes eram utilizados para facilitar o trânsito da organização criminosa em diferentes instituições”, mencionou o delegado.

De acordo com o delegado, Allan Kleber dizia ter contato em vários órgãos públicos e afirmava que não temia ser preso porque pagava pessoas para obter vantagens. A informação, segundo ele, foi confirmada após a extração de dados de um celular apreendido. “Ele ainda se apresentava como evangélico e atuava em uma igreja localizada no bairro Zumbi dos Palmares, Zona Leste de Manaus. A investigação constatou que igrejas evangélicas eram utilizadas como forma de camuflagem social, dificultando a identificação do grupo criminoso”, disse o delegado.

Informações sobre o paradeiro dos suspeitos podem ser repassadas de forma anônima pelos números 197 e (92) 3667-7575, da Polícia Civil, ou pelo 181, da Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM).

Ao todo, oito pessoas foram presas no Amazonas e seis fora do estado. Confira quem são os detidos no AM:
1. Izaldir Moreno Barros
2. Adriana Almeida Lima
3. Anabela Cardoso Freitas
4. Alcir Queiroga Teixeira Júnior
5. Josafá de Figueiredo Silva
6. Osimar Vieira Nascimento
7. Bruno Renato Gatinho Araújo
8. Ronilson Xisto Jordão

O DE tenta contato com a defesa dos presos na operação, mas não obtivemos retorno até a última atualização desta reportagem. Lucila Costa Meireles, presa fora do Amazonas, também é apontada como integrante do núcleo político. Ela já exerceu cargos de assessoria parlamentar, inclusive na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas e na Câmara Municipal de Manaus.

Segundo a polícia, Lucila se apresentava como advogada sem ter registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e atuava como lobista do grupo. Mensagens analisadas indicam que ela e outra suspeita teriam pago propina a um servidor do Judiciário para obter e repassar informações de processos que tramitavam em segredo de Justiça.

Como era o esquema

Segundo a polícia, a organização criminosa movimentou cerca de R$ 70 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 9 milhões por ano desde 2018, e atuava em conjunto com traficantes do Amazonas e de outros estados.

As investigações apontam que os suspeitos facilitavam a contratação de empresas de fachada nos setores de transporte e logística. Na prática, essas empresas seriam usadas para comprar drogas na Colômbia e enviá-las a Manaus. Da capital amazonense, os entorpecentes seriam distribuídos para outras unidades da federação.

Os investigados devem responder por organização criminosa, associação para o tráfico de drogas, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e violação de sigilo funcional.

A defesa de Anabela Cardoso Freitas informou que ela não possui qualquer relação com organizações criminosas nem com os demais investigados. A defesa destacou ainda que ela é servidora pública concursada e reconhecida pela idoneidade. O DE tenta ainda localizar a defesa dos outros alvos da operação.

Procurado, o Tribunal de Justiça do Amazonas informou que já adotou medidas administrativas em relação ao servidor citado na operação. A Corte afirmou que preza pela legalidade, pela transparência e pela integridade e que não compactua com condutas incompatíveis com os deveres funcionais.

Já a Universidade do Estado do Amazonas declarou que não se responsabiliza por atos praticados por servidores fora do âmbito institucional. Sobre Adriana Almeida Lima, a instituição esclareceu que eventuais ações realizadas fora das dependências da universidade e do exercício das atividades acadêmicas são de responsabilidade exclusiva da professora. A UEA reafirmou compromisso com a ética, a legalidade e as normas que regem o serviço público.

Em nota, a Polícia Militar do Amazonas informou que o cabo preso na operação da Polícia Civil do Amazonas vai responder aos procedimentos na Justiça e também a trâmites administrativos na corporação. Segundo a PM, foi instaurado procedimento na Diretoria de Justiça e Disciplina. A instituição afirmou ainda que colabora com as investigações e não compactua com desvios de conduta.

Já a Prefeitura de Manaus informou que não é alvo da operação realizada na sexta-feira (20). De acordo com a nota, nem o prefeito David Almeida nem a estrutura administrativa do município fazem parte da investigação.

A prefeitura declarou que mantém compromisso com a legalidade e a transparência e que eventuais servidores investigados responderão individualmente por seus atos, conforme a lei.

A Câmara Municipal de Manaus orientou que os questionamentos sejam direcionados aos gabinetes dos vereadores onde os investigados trabalharam.

Anabela Cardoso Freitas, policial e ex-chefe de gabinete do prefeito de Manaus, é presa

Por fim, a reportagem aguarda o retorno da Assembleia Legislativa do Amazonas.

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