Um caso recente de absolvição por estupro de uma menina em MG tem gerado indignação e críticas de entidades que lutam pelos direitos das vítimas de violência sexual. A decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) em absolver um réu de 35 anos por estupro, alegando “vínculo afetivo” com a vítima, foi duramente questionada. O caso levantou debates sobre a forma como o sistema de justiça lida com crimes dessa natureza e a importância de se acreditar e proteger as vítimas.
De acordo com o Unicef, apenas 8,5% dos casos de violência sexual no Brasil são notificados às autoridades competentes. Isso demonstra a grande subnotificação de casos de estupro e estupro de vulnerável no país, o que pode refletir a falta de confiança das vítimas no sistema de justiça. A baixa taxa de denúncias também revela a necessidade de uma maior sensibilização da sociedade em relação a esse tipo de crime e o apoio às vítimas para que se sintam encorajadas a buscar ajuda e denunciar os agressores.
Os dados são alarmantes: entre 2021 e 2023, mais de 164 mil casos de estupro e estupro de vulnerável foram registrados no Brasil. No entanto, esse número representa apenas uma pequena parte do total estimado de ocorrências, o que evidencia a magnitude do problema e a urgência de medidas eficazes para combatê-lo. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) está investigando a decisão do TJMG no caso em questão, o que levanta questões sobre a necessidade de uma análise mais crítica e rigorosa das decisões judiciais em casos de violência sexual.
A absolvição do réu acusado de estupro por suposto “vínculo afetivo” com a vítima levanta debates sobre a interpretação da lei e a aplicação do princípio da proteção integral às crianças e adolescentes. É fundamental que a justiça seja feita de forma imparcial e que as vítimas sejam ouvidas e acolhidas, independentemente de qualquer relação que possam ter com o agressor. A proteção das crianças e adolescentes contra qualquer forma de violência deve ser prioridade absoluta, e as leis devem ser aplicadas de forma a garantir a segurança e o respeito aos direitos desses jovens.
Diante desse cenário, é essencial que a sociedade se mobilize e pressione as autoridades para garantir que casos de violência sexual sejam investigados e julgados de forma justa e imparcial. A conscientização sobre os direitos das vítimas, a importância de se denunciar agressores e o apoio às políticas de proteção à infância e adolescência são passos fundamentais para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. O combate à impunidade e a garantia de que a lei seja aplicada de forma eficaz são pilares essenciais na luta contra a violência sexual e a proteção dos mais vulneráveis em nossa sociedade.
O papel das entidades que lutam pelos direitos das crianças e adolescentes é fundamental nesse contexto, pois elas desempenham um papel crucial na defesa dos direitos humanos e na promoção de políticas públicas que visam proteger os mais vulneráveis. Através de campanhas de conscientização, apoio às vítimas e pressão política, essas instituições têm contribuído para sensibilizar a sociedade e as autoridades sobre a importância de se combater a violência sexual e garantir a proteção dos direitos das crianças e adolescentes. A luta por justiça e pela dignidade das vítimas de violência sexual é um compromisso de todos e exige a participação ativa de cada cidadão na construção de um mundo mais seguro e justo para todos.




