Um mês do desaparecimento da família Aguiar: polícia considera concluir inquérito mesmo sem localizar corpos
Principal suspeito do crime é o policial Cristiano Domingues Francisco, que está preso temporariamente. Silvana Germann de Aguiar e seus pais, Isail e Dalmira, estão desaparecidos desde os dias 24 e 25 de janeiro.
Um mês do desaparecimento da família Aguiar, em Cachoeirinha (RS): A Polícia Civil considera concluir o inquérito que investiga o sumiço da família Aguiar mesmo sem localizar os desaparecidos. A informação foi confirmada pelo delegado responsável pelo caso, Anderson Spier.
O desaparecimento da família Aguiar, de Cachoeirinha, completa um mês nesta semana, ainda envolto em mistério. Silvana Germann de Aguiar, de 48 anos, e os pais Isail Aguiar, de 69 anos e Dalmira Aguiar, de 70 anos, não são vistos desde os dias 24 e 25 de janeiro. (Relembre o caso abaixo)
A Polícia Civil confirmou que realizou trabalhos de buscas em áreas de Gravataí e Viamão, Região Metropolitana de Porto Alegre, e também em sítios ligados à família e aos familiares do ex-companheiro de Silvana, Cristiano Domingues Francisco — preso temporariamente por suspeita de envolvimento no crime — mas, até a publicação desta reportagem, não havia pistas sobre o paradeiro dos Aguiar.
Conforme o delegado Anderson Spier, o inquérito sobre o caso segue em andamento, e as autoridades praticamente descartam encontrar a família com vida. “O trabalho de localização é feito independente da remessa do inquérito. Inclusive, nós podemos remeter, continuar fazer as diligências”, explica Spier. “O trabalho da busca deve postergar, inclusive, ainda depois da remessa do inquérito,” diz, complementando que novos elementos podem transformar a prisão temporária do suspeito em prisão preventiva.
Na segunda-feira (23), a Polícia Civil confirmou que concluiu a perícia em um telefone celular que pertencia a Silvana Aguiar. O conteúdo do material extraído não foi revelado. Já os conteúdos dos telefones de Cristiano, e da companheira dele — tratada como testemunha — ainda estão em fase de extração e análise.
**RELEMBRE O CASO**
Silvana Germann de Aguiar, Dalmira Germann de Aguiar e Isail Vieira de Aguiar — Foto: Imagens cedidas/Polícia Civil. O DE montou a linha do tempo que detalha os principais acontecimentos da investigação. Confira:
Antes do sumiço
2 de janeiro: Silvana Germann de Aguiar solicita, em um grupo de mensagens, o contato do Conselho Tutelar; 9 de janeiro: Silvana comparece ao Conselho Tutelar para registrar que seu ex-marido, o policial militar Cristiano Domingues Francisco, desrespeitava as restrições alimentares do filho do ex-casal. A reportagem procurou Jeverson Barcellos, advogado de Cristiano, e aguarda posicionamento.
O fim de semana dos desaparecimentos: 24 de janeiro (sábado): Silvana é vista pela última vez. Uma publicação em seu perfil nas redes sociais dizia que ela havia sofrido um acidente em Gramado, mas que estava bem. Segundo a polícia, o acidente nunca aconteceu e o objetivo da postagem seria despistar o desaparecimento. Images de uma câmera de segurança registraram uma movimentação atípica de veículos na noite de 24 de janeiro. 25 de janeiro (domingo): Alertados por vizinhos sobre a postagem, os pais de Silvana, Isail e Dalmira Aguiar, saem para procurar a filha. O casal de idosos tenta registrar o desaparecimento na delegacia distrital, mas a unidade estava fechada. Desde então, não foram mais vistos.
Início das investigações:
27 e 28 de janeiro: As ocorrências de desaparecimento são registradas formalmente. O ex-marido, Cristiano Domingues Francisco, comunica o sumiço de Silvana, e uma sobrinha, informa à polícia que os idosos também não foram mais vistos; 28 de janeiro: Cristiano comparece ao Conselho Tutelar para pedir que o filho fique sob sua guarda durante as investigações; 1º de fevereiro: Cristiano envia uma foto de dentro da casa dos sogros para uma conhecida, mostrando o veículo do casal; 3 de fevereiro: A polícia ouve seis pessoas, incluindo o ex-marido e sua atual companheira. Um projétil de arma de fogo é encontrado no pátio da casa dos idosos; 4 de fevereiro: A Polícia Civil confirma que trata o caso como crime, descartando sequestro por falta de pedido de resgate.
Perícias e prisão:
5 de fevereiro: A perícia coleta material na casa de Silvana, encontrando vestígios de sangue no banheiro e na área externa. “Encontraram vestígios diversos de material genético, além de impressões digitais (…) Sangue também. Todos esses vestígios foram devidamente colhidos por eles e agora seguem para análise no laboratório do IGP,” explica o delegado Anderson Spier, que está à frente da investigação. 7 de fevereiro: O celular de Silvana é localizado após denúncia anônima, escondido sob uma pedra em um terreno baldio próximo à casa dos pais; 9 de fevereiro: Reunião de autoridades confirma que o cartucho encontrado na casa dos idosos é de festim (munição não letal); 10 de fevereiro: Cristiano Domingues Francisco é preso temporariamente após quebra de sigilo telefônico indicar movimentação suspeita. A reportagem tem acesso a áudios nos quais ele estaria tentando interferir na investigação. Familiares e amigos realizam um protesto e caminhada em Cachoeirinha pedindo solução para o caso. O filho de Silvana é encaminhado para a casa dos avós paternos.




