Flávio mira Minas Gerais, sonda marqueteiro de Aécio e busca Zema
O senador Flávio Bolsonaro nesta terça-feira, 30 de novembro, durante cerimônia
de filiação de Jair Bolsonaro no PL. — Foto: MATEUS BONOMI/AGIF – AGÊNCIA DE
FOTOGRAFIA/AGIF – AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/ESTADÃO CONTEÚDO
Em uma tentativa de se apresentar como um nome mais palatável ao mercado e se
descolar da imagem mais ideológica associada ao bolsonarismo raiz, o senador
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem intensificado movimentos para profissionalizar sua
estratégia política e de comunicação.
A ideia, segundo aliados, é clara: construir uma candidatura com contornos
diferentes do perfil do pai. De 2018, Flávio quer repetir a ‘fórmula do Posto
Ipiranga’, quando Jair Bolsonaro buscou se ‘vacinar’ junto ao mercado com a
escolha de Paulo Guedes como o seu guru na economia. Agora, Flávio tenta
reproduzir essa lógica, tanto na montagem de uma equipe econômica, e quer
estender para nomes experientes no marketing eleitoral.
Nesse contexto, Flávio sondou o marqueteiro Paulo Vasconcelos, responsável pela
campanha presidencial de Aécio Neves em 2014. Hoje, Vasconcelos trabalha com o
governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que também se movimenta como pré-candidato
ao Planalto. A investida de Flávio é vista como um gesto estratégico, não apenas
pelo peso técnico do marqueteiro, mas principalmente pelo seu profundo
conhecimento de Minas Gerais.
Minas é tratada, dentro do grupo bolsonarista, como peça-chave. O estado é
historicamente considerado o fiel da balança das eleições presidenciais e, por
isso, passou a ocupar o centro do tabuleiro político de Flávio e de Lula — e de
todos os candidatos.
Não por acaso, aliados do senador também passaram a defender a hipótese de uma
chapa que tenha o governador Romeu Zema como vice. A avaliação é que a presença
de Zema ajudaria a ampliar pontes com o empresariado, reforçar o discurso
liberal e, ao mesmo tempo, consolidar um palanque competitivo em Minas.
Na prática, os movimentos de Flávio indicam uma estratégia mais ampla: suavizar
a imagem, profissionalizar a comunicação e fazer acenos claros ao mercado e ao
eleitorado mineiro, numa tentativa de se viabilizar como herdeiro político
viável do bolsonarismo em um cenário pós-Bolsonaro.




