Assassinato de líder quilombola em Simões Filho: Julgamento adiado para abril – Caso Mãe Bernadete expõe violência contra defensores dos direitos humanos

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O julgamento do assassinato da ialorixá e líder quilombola Maria Bernadete Pacífico, conhecida como Mãe Bernadete, na cidade de Simões Filho, Bahia, que estava marcado para ocorrer nesta terça-feira (24) em Salvador, foi adiado para o dia 13 de abril. Este adiamento foi solicitado pela nova defesa dos réus, Arielson da Conceição dos Santos e Marílio dos Santos, envolvidos no crime. O Tribunal de Justiça da Bahia confirmou essa mudança na data do julgamento quase três anos após o assassinato.

Mãe Bernadete foi brutalmente assassinada com 25 tiros em agosto de 2023, na sede do Quilombo Pitanga dos Palmares, onde residia. As investigações apontaram que o crime foi encomendado por um líder do tráfico de drogas local, em resposta às ações de Bernadete contra as atividades criminosas do grupo. Os réus respondem por homicídio qualificado com motivos torpes, crueldade, impossibilidade de defesa da vítima, além de feminicídio e crimes correlatos.

Dentre os réus, Arielson da Conceição Santos está detido preventivamente, enquanto Marílio dos Santos permanece foragido. O adiamento do julgamento foi motivado pelo fato de Marílio ter constituído um advogado. Além deles, Sérgio Ferreira de Jesus também será julgado em Simões Filho, mas a data da audiência ainda não foi determinada. Outros suspeitos envolvidos no crime tiveram seus processos desmembrados por falta de representação legal.

A investigação revelou que Sérgio Ferreira, um morador do quilombo, desencadeou o crime por discordar das ações de Mãe Bernadete em relação à exploração ilegal de madeira na região. Ele orquestrou o assassinato e auxiliou os executores, indicando a rota para o crime. Após o fato, a família de Mãe Bernadete entrou com uma ação indenizatória contra a União e o Governo do Estado, que foi resolvida por meio de acordo administrativo um ano depois.

O trágico assassinato de Mãe Bernadete trouxe à tona a violência contra líderes quilombolas e defensores dos direitos humanos. O adiamento do julgamento dos réus envolvidos neste crime destaca a importância de garantir uma justiça eficiente e eficaz, dando continuidade às investigações e processos para responsabilizar os responsáveis por tão grave ato de violência. A luta pela justiça em casos como este é crucial para combater a impunidade e promover a segurança e proteção dos grupos vulneráveis em nossa sociedade.

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