Ambas as regiões têm em comum a vulnerabilidade a chuvas intensas devido à sua geografia acidentada, com relevos íngremes e solos suscetíveis a deslizamentos. Além disso, a ocupação desordenada e a falta de infraestrutura adequada de drenagem agravam ainda mais a situação, aumentando os riscos de desastres naturais.
O desastre na Região Serrana do Rio de Janeiro, que deixou centenas de mortos e desabrigados, serviu como um alerta para a necessidade de políticas públicas mais eficazes de ordenamento territorial e prevenção de desastres. No entanto, passados mais de dez anos, a situação se repete em Juiz de Fora, evidenciando a falta de aprendizado com tragédias passadas e a ineficiência na gestão de riscos.
A degradação ambiental, intensificada pelo desmatamento e ocupação irregular de áreas de preservação permanente, contribui diretamente para a ocorrência de deslizamentos de terra e inundações. A falta de planejamento urbano e a ausência de medidas preventivas adequadas tornam essas regiões vulneráveis a eventos extremos do clima, colocando em risco a vida e o patrimônio das populações locais.
A atuação de órgãos governamentais, como as defesas civis municipais e estaduais, é fundamental para a gestão de situações de emergência e para a implementação de medidas de prevenção e mitigação de desastres. Além disso, a conscientização da população sobre os riscos associados à ocupação de áreas de risco e a adoção de práticas sustentáveis são essenciais para a redução da vulnerabilidade das comunidades.
Diante do cenário de mudanças climáticas e extremos climáticos mais frequentes, é urgente a adoção de políticas públicas que promovam o desenvolvimento sustentável e a resiliência das cidades frente aos desastres naturais. Investimentos em infraestrutura verde, como parques e áreas de preservação, e em sistemas de alerta precoce podem contribuir significativamente para a redução dos impactos das chuvas extremas e para a proteção das vidas e dos bens das populações afetadas.
A prevenção e a gestão de riscos de desastres devem ser abordadas de forma integrada, envolvendo diferentes setores da sociedade e contemplando aspectos sociais, econômicos e ambientais. Ações como o mapeamento de áreas de risco, a regularização fundiária e a educação ambiental são fundamentais para a construção de cidades mais seguras e sustentáveis, capazes de enfrentar os desafios do clima e garantir o bem-estar de seus habitantes.
A tragédia em Juiz de Fora e os desastres recorrentes em regiões como a Serra Fluminense são um alerta para a urgência de medidas efetivas que reduzam a vulnerabilidade das comunidades a eventos extremos do clima. A articulação entre poder público, sociedade civil e setor privado é essencial para a implementação de políticas e ações que garantam a segurança e a qualidade de vida das populações expostas a esses riscos. E é preciso agir agora, antes que mais vidas sejam perdidas e mais tragédias se repitam.




