‘Ouro branco da Amazônia’: como o látex transformou Belém na ‘Paris n’América’ e explorou os trabalhadores da borracha
No auge do ciclo da borracha, o látex da Amazônia fez Belém crescer e ganhar o apelido de ‘Paris n’América’. Na série ‘Látex: O Ouro Branco da Amazônia’, pesquisadora mostra como a riqueza urbana escondeu desigualdade e exploração.
O látex da Amazônia impulsionou a economia de Belém entre o final do século XIX e o início do XX. Matéria-prima da borracha, o líquido viscoso extraído das seringueiras ajudou a financiar obras icônicas que renderam à cidade o título simbólico de “Paris n’América”.
Durante o primeiro ciclo da borracha (1879-1912), a extração de látex das seringueiras consolidou Belém como polo exportador, graças à sua localização portuária privilegiada em relação à Europa.
A historiadora Laura Silva, da Universidade Federal do Pará (UFPA), explica que a riqueza gerada pavimentou avenidas arborizadas, palacetes, monumentos e edifícios emblemáticos.
Muitos pesquisadores encontram, principalmente nos jornais da época, essa referência de uma cidade reconhecida como Paris na América — diz Laura Silva.
Mas, enquanto Belém ganhava traços europeus na Belle Époque, a situação de quem extraía o látex era de extrema precariedade e exploração.
Formados em grande parte por migrantes nordestinos, eles enfrentavam más condições de vida e um sistema de endividamento que os prendia aos patrões.
Segundo Laura, o retorno econômico do látex não ia para o trabalhador que estava lidando diretamente com o saber ancestral da floresta, mas para as classes econômicas dominantes.
Esta é a primeira reportagem da série especial “Látex: O Ouro Branco da Amazônia”. Dividida em três partes, as matérias abordam sobre o aprendizado deixado pela exploração do látex em Belém; como mulheres transformam a seiva da borracha em joias orgânicas; e a empresa que produz calçados ecológicos usando látex e açaí.




