Operação Vassalos: veja conexões da família Coelho com esquema de desvios de emendas, fraudes em licitações e lavagem de dinheiro
Entre os investigados, estão o ex-senador Fernando Bezerra Coelho e os filhos Miguel Coelho, ex-prefeito de Petrolina, e Fernando Filho, deputado federal. O DE teve acesso à petição do STF que autorizou buscas e apreensões e quebrou sigilo telefônico de alvos.
Ex-senador Fernando Bezerra Coelho e filhos são alvos de ação da PF que investiga desvio de emendas.
A Operação Vassalos, que tem entre os alvos o ex-senador Fernando Bezerra Coelho (MDB) e os filhos Miguel Coelho, ex-prefeito de Petrolina, e Fernando Filho, deputado federal, ambos do União Brasil, apura um suposto esquema criminoso de desvios de emendas parlamentares. O DE teve acesso à petição do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou os 42 mandados de busca e apreensão.
Entre os locais das apreensões na quarta-feira (25), estão uma empreiteira e numa concessionária ligadas a Fernando Bezerra Coelho e seus filhos e a sede da prefeitura de Petrolina, no Sertão de Pernambuco. Segundo a Polícia Federal (PF), o núcleo político investigado enviou recursos de emendas e Termos de Execução Descentralizada (TEDs) ao município e à Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf).
A investigação também apontou que parte dos valores direcionados ao município foi usada para custear contratos com a Liga Engenharia Ltda. Essa empresa, de acordo com a PF, é a principal beneficiária dos repasses após ser contratada para prestar serviços de pavimentação em Petrolina a partir de 2017, início da gestão de Miguel Coelho como prefeito.
A defesa de Fernando Bezerra Coelho disse que não obteve acesso integral aos autos e afirmou que todos os recursos de emendas parlamentares foram “corretamente destinados”. Já Fernando Filho e Miguel Coelho afirmaram que alguns fatos investigados pela operação da PF já foram arquivados pelo STF.
O DE entrou em contato com a Codevasf, mas não recebeu respostas até a última atualização desta reportagem.
COMO ACONTECIAM OS DESVIOS
Fluxo do dinheiro: segundo a investigação, emendas parlamentares e TEDs liberados por Fernando Bezerra Coelho e Fernando Filho eram direcionados à prefeitura de Petrolina e à Codevasf e depois transferidos à empresa Liga Engenharia, através de contratos.
Após essa etapa, havia o pagamento de vantagens indevidas e ocultação patrimonial por meio de saques em espécie, triangulações e uso de empresas ligadas à família.
Concentração em Petrolina: fiscalizações da Controladoria Regional da União (CGU) e do Tribunal de Contas da União (TCU) citadas na petição apontam falhas graves e concentração de obras na cidade, com qualidade questionada e procedimentos licitatórios que favoreceram a Liga.
Influência na Codevasf: mensagens e despachos mostram ingerência política para nomear e operar a 3ª Superintendência, em Petrolina, e a direção nacional. A investigação aponta prestação de contas frequente dos gestores a Fernando Bezerra Coelho.




