O governo do Paquistão anunciou uma “guerra aberta” contra o Afeganistão, lançando ataques aéreos contra Cabul, em meio a uma escalada militar que começou após uma série de atentados suicidas em território paquistanês e troca de acusações entre Islamabad e Cabul. A ofensiva marca um novo patamar na deterioração das relações bilaterais e ocorre em meio a acusações mútuas sobre a responsabilidade por ataques transfronteiriços.
De acordo com informações divulgadas pela Al Jazeera, as autoridades paquistanesas justificaram os bombardeios como resposta direta à recente onda de violência que atingiu o país. No dia 6 de fevereiro, um atentado suicida deixou ao menos 36 mortos em uma mesquita xiita em Islamabad, seguido por um ataque a um posto de segurança em Bajaur, na província de Khyber Pakhtunkhwa, que resultou na morte de 11 soldados e de uma criança. Autoridades do Paquistão afirmam que o responsável por esse ataque era um cidadão afegão.
Após o atentado em Bajaur, o governo paquistanês apresentou uma queixa diplomática formal ao vice-chefe da missão afegã em Islamabad, evidenciando o agravamento das tensões diplomáticas entre os dois países. Em 21 de fevereiro, um novo atentado suicida atingiu um comboio de segurança em Bannu, resultando na morte de dois soldados. A sucessão de ataques levou Islamabad a iniciar sua primeira rodada de bombardeios dentro do território afegão, mirando esconderijos e refúgios de grupos armados, incluindo o Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP).
O governo afegão declarou que os bombardeios paquistaneses resultaram na morte de pelo menos 18 pessoas e prometeu retaliar, intensificando o confronto entre as forças dos dois países. A escalada militar aumenta o risco de um conflito mais amplo na região, em meio a um contexto de instabilidade e acusações de apoio a grupos armados ao longo da fronteira entre Paquistão e Afeganistão. A situação ressalta a urgência de diálogo e negociação para evitar uma escalada ainda maior de violência na região.




