Campanha da Fraternidade debate moradia e revela 54 mil imóveis vazios em Itapetininga e Tatuí (SP)

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Itapetininga tem 51 imóveis vazios para cada família em situação de rua;
Campanha da Fraternidade reacende debate sobre moradia

Itapetininga (SP) e Tatuí (SP) somam mais de 22 mil imóveis particulares vazios,
enquanto centenas de pessoas vivem nas ruas.

Após pico em 2022, número de famílias em situação de rua oscila em
Itapetininga (SP) — Foto: Reprodução/TV DE

Ao menos 237 famílias não possuem moradia fixa e vivem nas ruas de Itapetininga
(DE), de acordo com os dados da Secretaria de Avaliação de Gestão da Informação e
Cadastro Único (Decau). O número é 7,7% menor do que o registrado no fim de
2023, quando a cidade tinha 257 famílias em situação de rua, de acordo com o órgão.

Segundo o painel do Decau, o número de famílias em situação de rua em
Itapetininga começou a crescer em 2017. Naquele ano, havia cerca de 20 famílias
sem moradia no município. Ao fim de 2017, o total chegou a 93 famílias
cadastradas no CadÚnico.

Itapetininga tem 51 imóveis vazios para cada família em situação de rua
Itapetininga tem 51 imóveis vazios para cada família em situação de rua

A escalada continuou e, menos de três anos depois, no início de 2020, já eram
253 famílias registradas.

O pico foi registrado em julho de 2022, quando o município contabilizou 306
famílias em situação de rua. Desde então, os números têm oscilado, com períodos
de queda e de alta.

CAMPANHA DA FRATERNIDADE FOCA EM MORADIA

A Campanha da Fraternidade 2026 tem como tema “Fraternidade e Moradia” e como
lema “Ele veio morar entre nós”. Promovida pela Conferência Nacional dos Bispos
do Brasil, a iniciativa chega à 62ª edição propondo, neste ano, uma reflexão
sobre a moradia como direito fundamental, à luz da fé cristã e do compromisso
com a solidariedade.

Por meio das paróquias e comunidades, a campanha prevê a realização de ações
como:

– Analisar a realidade da moradia das pessoas mais pobres;
– Identificar como os governantes do nosso país, estado e município se
preocupam com as pessoas sem moradia digna;
– Entender por que a moradia é um direito de todas as pessoas e não algo que se
tem porque merece.

Em Itapetininga, 12.148 imóveis particulares estão desocupados. O total
representa, em média, 51 imóveis vazios para cada família que vive em situação
de rua no município.

Já em Tatuí (SP), há cerca de 10 mil habitações particulares desocupadas, enquanto 165 famílias vivem
em situação de rua na cidade.

A cientista social e mestre em estudos culturais Thais Maria Souto Vieira avalia
que a situação das pessoas em situação de rua é resultado de um fenômeno
multicausal, marcado por uma sequência de exclusões sociais.

Segundo ela, a falta de acesso a moradia, trabalho, educação, estrutura familiar
e serviços de saúde está entre os principais fatores que levam indivíduos e
famílias a viverem nas ruas.

É uma situação que deve ser vista como provisória, mas que, muitas vezes, acaba
se estendendo por anos”, explica.

Itapetininga (SP) registra 237 famílias sem moradia fixa, enquanto possui
12.148 imóveis particulares desocupados — Foto: Reprodução/TV TEM

Itapetininga (SP) registra 237 famílias sem moradia fixa, enquanto possui 12.148
imóveis particulares desocupados — Foto: Reprodução/TV TEM

Outro aspecto apontado pela pesquisadora é o caráter migratório e transitório
dessa população. De acordo com ela, em cidades do interior, a presença de
pessoas em situação de rua costuma chamar mais atenção, o que contribui para a
intensificação de estigmas e preconceitos.

4 de 6 Empreendimento habitacional mais recente entregue em Itapetininga (SP)
foi o Residencial Copacabana, inaugurado em dezembro de 2025, com 437 unidades,
segundo a prefeitura — Foto: Prefeitura de Itapetininga/Divulgação

Empreendimento habitacional mais recente entregue em Itapetininga (SP) foi o
Residencial Copacabana, inaugurado em dezembro de 2025, com 437 unidades,
segundo a prefeitura — Foto: Prefeitura de Itapetininga/Divulgação

“As políticas públicas precisam prever e incluir estes cidadãos no resgate da
dignidade humana, seja ofertando refeições, moradia ou até espaços terapêuticos
onde eles possam trabalhar as diversas questões que envolvem a dinâmica singular
da vida na rua”, recomenda.

A cientista social ressalta ainda que discursos que afirmam que pessoas em
situação de rua gostam de viver nessa condição são perigosos, pois reforçam
estereótipos e invisibilizam a complexidade do problema.

O ‘querer’ do indivíduo, muitas vezes, tem a ver com o rompimento de vínculos
dele dentro de uma estrutura social e familiar que o sustentava, assim como
sustenta a todos nós. O resgate desses vínculos é um grande desafio, que
envolve não só condições dignas de moradia e trabalho, mas também de
socialização, saúde mental, entre outras”, analisa.

6 de 6 Itapetininga tem 51 imóveis vazios para cada família em situação de rua —
Foto: Freepik

Itapetininga tem 51 imóveis vazios para cada família em situação de rua — Foto:
Freepik

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