Pesquisa revela que americanos simpatizam mais com palestinos do que com israelenses, marcando uma mudança significativa na opinião pública dos Estados Unidos. Segundo a Gallup, 41% dos entrevistados declararam maior simpatia pelos palestinos em relação aos israelenses, que representavam 36% do apoio. Pela primeira vez, desde o início da série histórica, os palestinos superaram Israel nas simpatias dos americanos em meio ao conflito no Oriente Médio, destacando uma nova percepção do público americano diante da guerra na Faixa de Gaza e das tensões políticas internas.
No período de 2001 a 2025, os israelenses mantiveram consistentes vantagens nas simpatias americanas no Oriente Médio, porém o cenário atual representa uma mudança após mais de duas décadas de apoio predominante a Israel. O contexto de agravamento humanitário em Gaza, com mais de 72 mil palestinos mortos desde o início da ofensiva israelense após o ataque do Hamas em 2023, desencadeou críticas e divisões internas nos Estados Unidos. Os esforços de reconstrução em Gaza enfrentam obstáculos devido ao bloqueio imposto por Israel, mesmo após um cessar-fogo mediado pelos EUA em outubro.
A mudança na opinião pública ocorre próximo às eleições legislativas de meio de mandato nos EUA, potencialmente redefinindo o controle do Congresso. Embora a política externa raramente seja central nas disputas eleitorais americanas, a condução da guerra em Gaza tem gerado críticas e divisões internas. Entre democratas, 65% simpatizam mais com os palestinos, enquanto 17% preferem os israelenses. Independentes, considerados decisivos nas eleições, mostram 41% de apoio aos palestinos e 30% a Israel, representando uma mudança em relação ao ano anterior.
Os republicanos, por sua vez, demonstram uma queda de 10 pontos percentuais na simpatia por Israel em comparação a 2024, atingindo o nível mais baixo desde 2004. A liderança republicana busca se alinhar a Israel, porém há fissuras no movimento conservador, com figuras questionando o apoio irrestrito ao governo israelense. O presidente Donald Trump e lideranças republicanas têm buscado apresentar o partido como mais alinhado a Israel, apesar das críticas e divisões internas.
Em dezembro, Trump afirmou que o lobby mais forte em Washington já não era mais o judeu ou Israel, e alertou sobre um possível aumento do antissemitismo no Congresso. O senador republicano Ted Cruz também alertou sobre o crescimento do antissemitismo na direita e o impacto negativo que poderia trazer ao Partido Republicano. Assim, a mudança de apoio aos palestinos em detrimento de Israel reflete uma nova dinâmica na política internacional dos Estados Unidos.




