Organismo Internacional de Energia Atômica declara impossibilidade de verificar enriquecimento de urânio no Irã
Organização das Nações Unidas enfrenta dificuldades para verificar o estoque de urânio iraniano, classificando a situação como de extrema urgência após conflito.
No dia 27 de fevereiro de 2026, a Agência Internacional de Energia Atômica emitiu um comunicado informando que não está conseguindo confirmar se o Irã suspendeu completamente o enriquecimento de urânio após um conflito de 12 dias em junho de 2025. A falta de acesso às instalações afetadas pelo conflito dificulta a verificação das atividades nucleares e do destino do material enriquecido.
Segundo um relatório confidencial distribuído aos Estados-membros, a agência destacou que, sem inspeções presenciais nos locais afetados, não é possível determinar o volume, a composição ou o paradeiro do estoque de urânio enriquecido mantido por Teerã. O relatório ressalta que a perda de continuidade no conhecimento sobre o material nuclear previamente declarado “precisa ser tratada com a máxima urgência”.
O governo iraniano sustenta que seu programa nuclear tem fins pacíficos, entretanto, a agência e países ocidentais afirmam que o país possuía um programa organizado de armas nucleares até 2003. O diretor-geral da agência, Rafael Grossi, ressaltou que o Irã possui 440,9 quilos de urânio enriquecido com pureza de até 60%, próximo ao patamar de 90% considerado grau armamentista, o que poderia permitir a produção de até 10 bombas nucleares, caso houvesse a decisão de militarizar o programa. No entanto, afirmou que possuir esse volume não significa que o país tenha uma arma nuclear.
Conforme as normas do organismo internacional, esse tipo de material deve ser verificado mensalmente por inspetores. A impossibilidade de acesso às instalações afetadas compromete o cumprimento desse procedimento.
Após ataques anteriores, o Irã permitiu ao menos uma inspeção em instalações não afetadas, exceto a usina de Karun, ainda em construção e sem abrigar material nuclear. Imagens de satélites comerciais analisadas pela agência apontaram movimentação de veículos no complexo de túneis em Isfahan, local de produção de gás utilizado nas centrífugas de enriquecimento, que foi atingido por Israel. Os Estados Unidos também lançaram mísseis contra Isfahan durante operação militar em junho do ano passado. A agência também mencionou atividades em instalações de Natanz e Fordow, porém, sem inspeção direta, não pôde confirmar a natureza dessas operações.




