Calor extremo eleva mortalidade de idosos no Rio e provoca até 10 mortes
adicionais por dia, aponta estudo
Segundo o estudo, cada dia adicional de calor extremo eleva a mortalidade em
1,016 óbito por 100 mil idosos — um aumento de aproximadamente 0,56% na taxa
média mensal.
Um dia com temperatura acima de 43°C pode provocar cerca de 10 mortes adicionais
de idosos na cidade do Rio de Janeiro, segundo um estudo do Instituto de Estudos
para Políticas de Saúde (IEPS).
O dado é de uma nota técnica que analisou os efeitos das ondas de calor sobre a
mortalidade no município.
Segundo o estudo, cada dia adicional de calor extremo eleva a mortalidade em
1,016 óbito por 100 mil idosos — um aumento de aproximadamente 0,56% na taxa
média mensal.
A pesquisa, divulgada em fevereiro deste ano, utilizou dados de temperatura por
satélite combinados com informações de óbitos do Sistema de Informações sobre
Mortalidade (SIM/DataSUS), entre 2003 e 2016.
Os pesquisadores focaram principalmente em mortes por doenças crônicas em
pessoas com mais de 60 anos, como enfermidades cardiovasculares, respiratórias e
endócrino-metabólicas — condições que podem ser agravadas pelo estresse térmico.
IMPACTO É MAIOR EM BAIRROS MAIS QUENTES
A análise aponta que cerca de dois terços das mortes associadas ao calor extremo
estão concentradas nos bairros mais quentes da cidade, especialmente nas zonas
Norte e Oeste – onde há maior predominância de ilhas de calor.
Apenas um terço dos óbitos está relacionado a choques térmicos que atingem o
município de forma generalizada.
O resultado indica que, mesmo quando toda a cidade enfrenta temperaturas
elevadas, as diferenças de exposição ao calor entre os bairros continuam sendo
determinantes para o aumento da mortalidade.
De acordo com o diretor de pesquisa do IEPS e um dos autores do estudo, Rudi
Rocha, as ondas de calor escancaram desigualdades internas no município.
Segundo ele, políticas públicas de adaptação climática precisam considerar as
características de cada território, combinando intervenções locais — como
atenção primária à saúde e melhorias na infraestrutura urbana — com estratégias
mais amplas para enfrentar eventos extremos.
CLÍNICAS DA FAMÍLIA AJUDAM EM CALOR MODERADO
O estudo também avaliou o papel dos serviços de saúde na redução dos impactos do
calor. A expansão das Clínicas da Família pode reduzir em até 45% os efeitos de
ondas de calor moderadas, quando há variação de temperatura entre os bairros.
No entanto, essa proteção perde força durante ondas de calor extremo que atingem
toda a cidade simultaneamente. Nessas situações, o acesso rápido a
prontos-socorros e serviços de emergência se torna fundamental.
A pesquisa mostra ainda que bairros mais distantes de unidades de emergência
registram maior impacto do calor na mortalidade, reforçando a importância da
rede de atendimento para mitigar os efeitos dos choques térmicos.
RECOMENDAÇÕES
Entre as medidas apontadas como necessárias estão:
– criação de sistemas de alerta precoce;
– abertura de centros de resfriamento;
– mobilização coordenada dos serviços de saúde;
– ampliação de áreas verdes;
– investimentos em infraestrutura urbana e melhorias habitacionais.
Para os pesquisadores, estratégias isoladas não são suficientes. A adaptação às
mudanças climáticas exige ações combinadas, que integrem intervenções
localizadas e preparação sistêmica para proteger a população mais vulnerável.
SINTOMAS DE INSOLAÇÃO E EXAUSTÃO PELO CALOR
Durante as ondas de calor, é importante estar atento a sinais que o corpo dá de
que algo está errado, como:
– Pele quente e seca (sem suor)
– Dor de cabeça intensa
– Fraqueza ou tontura
– Náusea e vômito
– Confusão mental
– Batimentos cardíacos acelerados
O que fazer em caso de exaustão pelo calor:
– Leve a pessoa para um local fresco e arejado.
– Retire o excesso de roupa.
– Ofereça água em pequenas quantidades.
– Aplique compressas frias na testa, axilas e virilhas.
– Procure atendimento médico se os sintomas forem graves.




