Legado de Alice: os 24 cães que mantêm vivo seu sonho após tragédia em show

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‘Eles são a Alice’: o legado da formanda em veterinária que morreu em um show e
deixou mais de 20 cachorros para a família

Por dentro da rotina, dos sonhos e das feridas que viraram luta após a morte de
Alice, 27, cuja vida foi dedicada a resgatar, castrar e acolher animais. Hoje,
24 cães mantêm vivo o projeto que ela começou e ajudam os pais a atravessar o
luto.

O legado da jovem que morreu em um show e deixou mais de 20 cães para a família [https://s03.video.glbimg.com/x240/14387682.jpg]

Os 24 cachorros que hoje correm por uma casa na Zona Sul de Porto Alegre [https://DE.DE.DE.DE/DE/rio-grande-do-sul/cidade/porto-alegre/] mantêm vivo o
sonho que Alice Moraes alimentava para o futuro: ampliar resgates, castrar e
salvar cada vez mais animais. A jovem morreu aos 27 anos, em 2022, após passar
mal durante um show na Capital. Segundo testemunhas, houve negligência e demora
no atendimento. (Relembre o caso abaixo)

Agora, os pais tentam preservar esse legado interrompido, transformando o luto
na missão de cuidar de cada um dos bichinhos como se cuidassem dela.

> “Eles [os cachorros] são a Alice para nós”, diz a mãe, Angela Moraes.

Desde o início da faculdade em Medicina Veterinária, que ingressou em 2016,
Alice tinha a ideia de criar um serviço de resgate e prevenção para animais em
situação de abandono, uma espécie de “SAMU dos bichos”.

A jovem não queria um “depósito de cães”, mas sim um sistema organizado em que
cada resgate fosse castrado, vacinado e acompanhado até a adoção.

A família comprou a ideia e, aos poucos, a casa foi se adaptando ao projeto.
Vieram canis arejados, rotina de resgates, cuidados, castrações, vacinação e até
um “pequeno hotel para cães de vizinhos” dentro do terreno.

No projeto, Alice sonhava em trabalhar ao lado do pai, que planejava se
aposentar para ser seu auxiliar.

“O projeto era virar funcionário da Alice. Eu ia fazer um curso de tosa, para
dar banho, de adestramento. Ela ia ser minha chefe. Eu também sou muito
cachorreiro, então ia ser uma realização também minha de trabalhar com a minha
filha”, conta André.

A AUSÊNCIA QUE VIROU ROTINA

Em 16 de julho de 2022, a família perdeu Alice. A médica veterinária morreu após
um mal súbito em um show da cantora Luisa Sonza.

> “A maneira como a Alice morreu foi muito dolorosa porque ela foi
> negligenciada. Foi uma sucessão de erros que levaram à morte da minha filha”,
> relata André.

Ao todo, cinco pessoas foram indiciadas por omissão de socorro [https://DE.DE.DE.DE/DE/rio-grande-do-sul/noticia/2022/09/22/policia-indicia-5-pessoas-em-caso-de-mulher-que-morreu-durante-show-de-luisa-sonza-em-porto-alegre.ghtml]
no mesmo ano. No entanto, o Ministério Público do RS arquivou o caso em 2024 por
não haver “nexo causal (quando ação ou omissão de alguém não foi a causa do
resultado) nem culpa dos profissionais no atendimento, considerando que a morte
da vítima foi uma fatalidade, sem negligência, imprudência ou imperícia
comprovadas”.

A família lembra que as horas seguintes da morte foram de atordoamento, mas os
cães exigiam manhãs, ração, pátio limpo e vida.

“Eles têm uma rotina, acordam cedo, querem sair, fazem as necessidades, querem
comer, então tudo isso fazia com que a gente saísse da cama e seguisse aquilo
que ali se fazia. Então, eles fizeram que a gente continuasse a vida”, explica
Angela.

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