Jovem bailarina que vendia balas para estudar fará estreia profissional em teatro da Itália
Giovanna Santoro, de 23 anos, que vendia balas em semáforos do litoral paulista para custear a viagem e conseguir estudar dança na Europa, estreia no próximo sábado (7) em Cremona. O espetáculo é assinado por Adriano Bolognino, coreógrafo dos Jogos Olímpicos de Inverno.
A bailarina Giovanna Santoro, de 23 anos, que vendia balas em semáforos do litoral de São Paulo para custear seus estudos na Europa, comemora a realização de mais um sonho. Ela fará sua estreia profissional no Teatro Amilcare Ponchielli, em Cremona, na Itália, no próximo sábado (7).
“Para eu conseguir vir para cá, milhares de brasileiros ajudaram, acompanharam, torceram. Viram uma menina nos semáforos e decidiram acreditar em mim, na minha história, na minha vontade, na minha dança […] Agora, estou realmente começando a dar os meus passos oficiais como bailarina profissional aqui fora. Minha expectativa está lá em cima”, afirmou Giovanna.
A brasileira recebeu duas bolsas para estudar na Opus Ballet, em 2022, em Florença, na Itália. Mesmo com os períodos de estudo garantidos, ela precisou vender balas para pagar os custos de viagem, hospedagem e estadia no país.
Depois de concluir os cursos em 2025, Giovanna foi convidada para integrar a companhia profissional como estagiária. Durante os últimos meses, aprendeu todo o repertório do centro de dança para estar pronta caso surgisse uma vaga.
A oportunidade veio no início deste mês, quando a companhia descobriu que uma das bailarinas não poderia participar do espetáculo La Duse. Giovanna e outra estagiária gravaram vídeos dançando e enviaram ao coreógrafo Adriano Bolognino, o mesmo responsável pela abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026.
Giovanna foi escolhida e disse ter se emocionado ao ver seu nome publicado no site oficial do teatro. “É um momento que eu espero há muito tempo. Mal posso esperar a hora de dançar, de sentir aquele frio na barriga, de subir ao palco sendo bailarina profissional”, comemorou.
Descendente de italianos, ela afirma que a conquista também tem um peso familiar. O pai, que morreu quando ela tinha 10 anos, sonhava em levar a família para conhecer o país europeu. “Essa vitória não é só minha. É da minha família, dos meus amigos e de todos os brasileiros que ajudaram, que torceram e que acreditaram em mim lá atrás”, finalizou.




