Em ano eleitoral, distritais criam grupo para defender CACs e incentivar tiro esportivo no DF
Para especialista do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, frente é desnecessária e tem interesse apenas eleitoral. Crimes envolvendo CACs subiram 1000% entre 2019 e 2023 no DF.
Aumenta o número de crimes cometidos por CACs
A Câmara Legislativa do Distrito Federal lançou, na última semana, uma frente parlamentar para defesa dos caçadores, atiradores e colecionadores de armas de fogo (CACs).
O grupo será presidido pelo autor da proposta, deputado Roosevelt Vilela (PL), e reúne outros sete parlamentares de partidos de direita. Segundo a frente, os objetivos são defender os direitos dos CACs e propor políticas públicas voltadas ao fomento do tiro esportivo.
Para o especialista do Fórum Brasileiro de Segurança Pública Cássio Rosa, a frente não é necessária e está ligada a interesses neste ano eleitoral (veja detalhes mais abaixo).
O grupo ainda surge num contexto de aumento no número de crimes cometidos pela categoria. Em cinco anos, houve um crescimento de mais de 1000% nas ocorrências.
DE entrou em contato com o presidente da Casa, deputado Wellington Luiz (MDB) — responsável por aprovar as frentes parlamentares. Até a publicação da reportagem, ele não comentou sobre a criação do grupo.
A CRIAÇÃO DA FRENTE
Segundo o regimento interno da Câmara Legislativa, uma Frente Parlamentar é uma organização suprapartidária composta por pelo menos 1/3 dos deputados. Seu objetivo é melhorar a legislação sobre determinado tema ou discutir demandas específicas.
Ainda segundo o regimento, para criar uma Frente é necessário apresentar a proposta através de um requerimento. Elas são criadas quando o presidente da Câmara Legislativa envia esses requerimentos para publicação no Diário da Câmara.
O requerimento que propõe a criação da Frente de defesa dos CACs foi apresentado pelo deputado Roosevelt Vilela (PL) em 9 de junho de 2025.
O processo para criação da Frente foi concluído em 9 de novembro. Em uma sessão solene na noite desta quinta-feira (26), o grupo foi lançado.
Segundo o estatuto, a finalidade do grupo será:
defender e promover os direitos e garantias legais dos CACs perante os órgãos federais e distritais;
acompanhar e propor políticas públicas voltadas ao fomento do tiro esportivo, colecionismo e atividades autorizadas;
atuar junto aos órgãos de segurança pública e à sociedade para esclarecer a natureza lícita, controlada e responsável das atividades desempenhadas pelos CACs;
fomentar o diálogo com representantes de clubes de tiro, entidades de colecionadores, instrutores e associações;
colaborar com debates legislativos, audiências públicas e ações voltadas ao aprimoramento da legislação aplicável aos CACs.
Ao DE, a Câmara Legislativa disse, na manhã desta sexta-feira (27), que no ano de 2025 foram registradas 10 novas frentes parlamentares na Casa.
A Casa também disse que as frentes não possuem dotação orçamentária própria, nem estrutura administrativa específica ou cargos vinculados exclusivamente à sua manutenção.
Assim, não há custo individualizado ou específico por frente parlamentar. Eventuais atividades desenvolvidas no âmbito das frentes utilizam a estrutura administrativa já existente da Casa, sem despesa adicional.
QUEM COMPÕE A FRENTE DE DEFESA DOS CACS
Além de Roosevelt Vilela, outros sete parlamentares integram o grupo. Veja quem são, segundo a CLDF:
Eduardo Pedrosa (União Brasil), empresário;
Iolando Almeida (MDB), militar da reserva;
Joaquim Roriz Neto (PL), cientista político, filho e neto de políticos tradicionais do DF;
Pastor Daniel de Castro (PP), advogado e pastor da Assembleia de Deus;
Roosevelt Vilela (PL), subtenente veterano do Corpo de Bombeiros;
Rogério Morro da Cruz (PRD), foi porteiro, vigilante e supervisor;
Thiago Manzoni (PL), advogado;
Wellington Luiz (MDB), servidor público aposentado.
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