CATAR E EMIRADOS ARTICULAM ALIADOS PARA CONTER OFENSIVA DE TRUMP CONTRA O IRÃ
Países do Golfo articulam aliados para convencer o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a encurtar operações militares e evitar escalada regional. Os Emirados Árabes Unidos e o Catar intensificaram articulações diplomáticas para buscar uma alternativa que limite a duração das operações militares contra o Irã e evite uma escalada regional. A movimentação ocorre em meio ao rápido alargamento do conflito e ao temor de impactos prolongados sobre os mercados globais de energia.
Manifestantes protestam contra assassinato do aiatolá Ali Khamenei em Teerã. O objetivo é conter a expansão do confronto e impedir um choque prolongado nos preços de petróleo e gás natural. Os dois países atuam nos bastidores para formar uma ampla coalizão internacional capaz de defender um desfecho rápido e diplomático para a crise.
De acordo com uma avaliação do governo do Catar compartilhada com a agência, a expectativa é de uma reação ainda mais intensa nos preços do gás natural caso as rotas marítimas na região permaneçam severamente afetadas até meados desta semana, superior ao forte salto registrado na segunda-feira (2). Desde que Estados Unidos e Israel iniciaram ataques contra o Irã no sábado (28), o conflito se ampliou rapidamente, expondo bases, infraestrutura e cidadãos de países que afirmam não participar diretamente da guerra.
O Catar suspendeu a produção de gás natural liquefeito na maior instalação de exportação do mundo após a unidade ser alvo de um ataque com drone atribuído ao Irã, provocando uma disparada superior a 50% nos preços do gás na Europa. Paralelamente às investidas diplomáticas, Emirados e Catar trabalham para reforçar suas capacidades de defesa aérea. Os Emirados solicitaram apoio de aliados para sistemas de defesa de médio alcance, enquanto o Catar pediu assistência específica contra ataques com drones, considerados atualmente ameaça mais relevante que mísseis balísticos.
Uma análise interna vista pela agência aponta que os estoques catarianos de mísseis interceptadores Patriot seriam suficientes para quatro dias no ritmo atual de utilização. O governo do Catar informou ter abatido dois aviões Sukhoi Su-24 iranianos e interceptado sete mísseis balísticos, além de cinco drones. Mais cedo, na segunda-feira (2), o Ministério da Defesa catariano havia anunciado que duas aeronaves não tripuladas iranianas atacaram o país.
Nos últimos dias, o presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohammed bin Zayed Al Nahyan, e o emir do Catar, Tamim bin Hamad Al Thani, mantiveram conversas telefônicas com líderes europeus, entre eles o primeiro-ministro britânico Keir Starmer, o presidente francês Emmanuel Macron e o chanceler alemão Friedrich Merz. Antes do início dos bombardeios, interlocutores do Golfo, especialmente representantes do Catar, vinham defendendo moderação junto a autoridades ocidentais. Fontes ouvidas afirmam que, nos meses que antecederam os ataques, foi apresentada à equipe de Trump a perspectiva de um Irã reintegrado ao mercado global após eventual alívio de sanções.




