Clínica oftalmológica é interditada em Salvador após pacientes denunciarem perda de visão por causa de cirurgia de catarata. Grupo com ao menos 30 pacientes denunciou a situação. Diante disso, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) interditou a Clínica Clivan, localizada na Avenida Anita Garibaldi.
Quatro pessoas perdem a visão de um dos olhos após cirurgias de catarata.
A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Salvador interditou a Clínica Clivan, localizada na Anita Avenida Garibaldi, após ao menos 30 pacientes denunciarem perda de visão e dores após passarem por cirurgia de catarata. Em nota, enviada nesta segunda-feira (2), a SMS detalhou que suspendeu o convênio com a unidade, que também realizava atendimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Em entrevista à TV Bahia, pacientes que passaram pelo procedimento no dia 26 de fevereiro relataram que sentem fortes dores no olho. Além disso, não conseguem enxergar e alguns chegaram a ter sangramentos nos olhos operados. “Cheguei em casa, não dormi direito. O olho está doendo, inchado, saindo lágrima. Foi horrível”, conta Iraci, de 64 anos.
A paciente é moradora de Ribeira do Pombal, no interior da Bahia. Conforme relato dos pacientes, um grupo de ao menos 30 pessoas apresentou as mesmas reclamações. O grupo montou uma rede de apoio com outras pessoas prejudicadas e foram encaminhados pela clínica para o Hospital Santa Luzia, no bairro de Nazaré.
Na unidade, eles receberam os primeiros atendimentos, porém muitos ainda não sabem o que causou as dores e quais serão as consequências. Muitos temem a perda total da visão. Elas afirmam que a clínica não prestou esclarecimentos sobre o que teria acontecido ou como os sintomas estão sendo investigados.
“A clínica mandou que eles procurassem o HGE, eles não foram encaminhados. Não teve acolhimento pela clínica para saber se eles foram acolhidos ou não. [Lá], eles foram diagnosticados com uma bactéria. O médico deu estado grave e teve que arrancar o olho dos pacientes. Nosso medo é esse com os nossos familiares”, relata Eronildes Ribeiro.
Em nota, a SMS detalhou que a Clínica Clivan estava devidamente licenciada junto à vigilância sanitária municipal, com alvará vigente. Entretanto, a pasta tomou as seguintes providências cautelares no âmbito da vigilância sanitária: Suspensão cautelar do alvará sanitário; Interdição temporária dos serviços relacionados aos procedimentos em apuração; Instauração de processo administrativo sanitário para verificação das condições de funcionamento e conformidade com as normas vigentes; Notificação ao Ministério Público e Cremeb para acompanhamento nas esferas cabíveis.
Já o Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb) informou que realizou uma fiscalização na clínica nesta segunda-feira (2). As eventuais sanções ao empreendimento só serão divulgadas após o resultado da análise. A clínica de oftalmologia se pronunciou por meio de nota e afirmou que todos os protocolos clínicos, técnicos e de biossegurança foram rigorosamente seguidos durante as cirurgias. “Reiteramos nosso compromisso com a saúde, o bem-estar e a transparência no atendimento aos pacientes, permanecendo à disposição para quaisquer esclarecimentos adicionais e assegurando que todos continuem sendo acompanhados de forma responsável e humanizada”.




