Delegado de caso de estupro coletivo espera que foragidos se entreguem em até 24 horas
Mattheus Verissimo Zoel Martins, de 19 anos, compareceu com sua defesa à 12ª DP (Copacabana). A Polícia Civil investiga se grupo fez outras vítimas.
Justiça nega habeas corpus a 3 foragidos por estupro coletivo
O delegado Ângelo Lajes, responsável pelas investigações do caso de estupro coletivo contra uma adolescente de 17 anos em um apartamento em Copacabana, na Zona Sul do Rio, afirmou em entrevista ao RJ1 que espera que os foragidos se entreguem ainda nesta terça-feira (3).
“Em conversa com o advogado do Mattheus, que se entregou na delegacia, ele disse que as defesas estão conversando e a expectativa é que eles se entreguem em 24 horas”, afirmou Lajes.
Ainda assim, o delegado destacou que os policiais fazem buscas em vários pontos da cidade. No fim da manhã, os agentes fizeram buscas em um imóvel em Santa Teresa, na região central do Rio, mas nenhum dos foragidos foi encontrado.
A polícia investiga se os suspeitos teriam feito outras vítimas. O delegado disse que denúncias sobre o caso estão sendo feitas em redes sociais, mas é necessário investigar com cautela. Uma segunda vítima procurou a delegacia.
“Vamos tratar isso com muita cautela e cuidado porque precisamos trabalhar de forma muito técnica. Assim que essas vítimas aparecerem na delegacia, elas serão ouvidas em uma oitiva qualificada para que possamos trazer as provas aos autos”, disse Lajes.
EMBOSCADA
O delegado voltou a destacar que, no atual andamento das investigações, não tem dúvida de que a adolescente foi vítima de uma emboscada premeditada.
“O adolescente infrator se valeu da confiança que tinha com essa adolescente. Ele estudava no mesmo colégio, tinha um relacionamento anterior. Ele a convidou para o apartamento e combinou previamente com os outros acusados que estavam lá. E, a partir da chegada dela no imóvel, eles foram para o quarto e cometeram não só a violência sexual como psicológica e agressões físicas”, ressaltou.
Ângelo Lajes destacou que as investigações avançaram graças à capacidade da menor de pedir ajuda aos familiares e denunciar o caso.
FORAGIDO SE ENTREGA
Na manhã desta terça-feira (3) um dos 4 foragidos no caso se entregou à polícia. Todos viraram réus pelo crime, com o agravante de a vítima ser menor de idade, e também por cárcere privado.
A Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro. Os promotores destacaram, com base no relatório final da polícia, “a violência empregada e a brutalidade dos atos sexuais praticados contra a vítima, então em condição de manifesta vulnerabilidade”.
Mattheus Verissimo Zoel Martins, de 19 anos, compareceu com sua defesa à 12ª DP (Copacabana), onde o caso é investigado. Ele não deu declarações na chegada.
Outros 3 investigados seguiam foragidos até a última atualização desta reportagem: Bruno Felipe dos Santos Allegretti, de 18 anos; João Gabriel Xavier Bertho, de 19 anos; Vitor Hugo Oliveira Simonin, de 18 anos.
Há ainda um menor investigado. Até a última atualização desta reportagem, não havia registro de mandado de apreensão contra ele.
Como se trata de um menor, a polícia desmembrou o inquérito e enviou uma representação ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) pedindo pela apreensão por fato análogo ao crime.
HABEAS CORPUS NEGADOS
Anteriormente, a Justiça do Rio de Janeiro tinha negado habeas corpus aos foragidos.
A TV Globo apurou que 3 dos 4 maiores de idade procurados pelo crime entraram com um recurso para suspender a prisão. O desembargador Luiz Noronha Dantas, da 6ª Câmara Criminal, indeferiu os pedidos.
Como o caso está em segredo de Justiça, o processo não mostra nenhum nome, e não foi possível saber os autores dos recursos.
Também não havia informações se todos tinham pedido habeas corpus ou se um deles não entrou com recurso.
FILHO DE SUBSECRETÁRIO
Vitor Hugo Oliveira Simonin, um dos foragidos, é filho de José Carlos Costa Simonin, subsecretário estadual de Governança, Compliance e Gestão Administrativa.
O órgão está vinculado à Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos. Nesta segunda-feira (2), a secretária Rosangela Gomes emitiu uma nota nas redes sociais:
“Tomei conhecimento das graves denúncias envolvendo o filho do subsecretário Simonin. Recebo essas informações com profunda indignação e tristeza.
Minha trajetória de vida e minha gestão são pautadas, acima de tudo, pela defesa intransigente dos direitos das mulheres e pelo combate a todo tipo de violência.
Jamais compactuaria com qualquer ato que fira a dignidade feminina ou a integridade de nossas jovens.
Através do Governo do Estado do RJ, a Secretaria da Mulher já está prestando todo apoio jurídico e psicológico à adolescente e sua família.
Deixo aqui minha total solidariedade a esta jovem de 17 anos e à sua família.”
Posteriormente, o governo do estado emitiu uma nota.
“O Governo do Estado do Rio repudia veementemente o ato de extrema violência cometido contra uma adolescente em um apartamento em Copacabana. A Polícia Civil já concluiu a investigação e identificou os cinco autores dessa barbárie – quatro maiores e um menor de idade, que tiveram as prisões decretadas pela Justiça e estão foragidos. Todas as diligências estão em andamento para localizar e prender os envolvidos.
A Secretaria de Estado da Mulher irá prestar todo apoio psicológico à vítima e a sua família.
A Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos reafirma seu compromisso inegociável com a proteção da dignidade humana, com o respeito à vida e com a garantia de direitos da população fluminense.”




