O prefeito do Recife, João Campos (PSB), classificou como “espetáculo político” o pedido de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) assinado por um terço dos vereadores para investigar a alteração do resultado de um concurso público no município. A mudança beneficiou o filho de um juiz que havia arquivado uma operação que investigava suspeitas de corrupção na prefeitura. O pedido de abertura da CPI, que contou com 13 assinaturas, foi arquivado pelo presidente da Câmara Municipal, Romerinho Jatobá (PSB), que alegou falta de “fato determinado” a ser investigado.
João Campos também foi alvo de um pedido de impeachment pelo mesmo caso, mas o processo foi votado e rejeitado em Plenário. A CPI, por sua vez, foi arquivada por decisão do presidente da casa, que considerou não haver motivo para investigação. O prefeito do Recife afirmou que reverteu a alteração do resultado do concurso após a repercussão do caso de forma administrativa. Ele ressaltou que medidas técnicas foram tomadas e que a Câmara já se posicionou sobre o assunto.
O vereador Thiago Medina, autor do pedido de abertura da CPI, recorreu do arquivamento. Segundo o Regimento Interno da Câmara, os vereadores podem recorrer ao Plenário em até cinco reuniões ordinárias após parecer da Comissão de Legislação e Justiça. Romerinho Jatobá, ao arquivar o pedido, reconheceu que os requisitos formais foram cumpridos, mas argumentou que faltava “fato determinado” para a instauração da CPI.
O caso envolve a mudança no resultado do concurso público, que resultou na convocação de um candidato que ficou em 63º lugar em vez do aprovado para vagas de pessoas com deficiência. A reclassificação ocorreu após o candidato solicitar inscrição nas vagas PCD por meio de um laudo de autismo. Mesmo com opiniões contrárias de procuradoras, o procurador-geral do município determinou a reclassificação. Após a repercussão, o prefeito voltou atrás e nomeou o advogado com deficiência inicialmente aprovado.




