O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) aplicou uma multa no Governo do Estado do Paraná no valor de R$ 2,5 milhões devido à poluição marinha causada por sacos plásticos utilizados para conter a erosão na praia durante shows promovidos pelo governo. Os sacos cheios de areia foram utilizados na contenção de um “paredão” formado na praia ao lado do palco dos shows gratuitos. O Governo do Paraná pretende apresentar defesa e recorrer da multa aplicada pelo Ibama.
A infração identificada pelo órgão foi resultado de vistorias que constataram que os sacos plásticos espalhados pela praia de Matinhos foram levados pelo mar para diversos pontos do litoral, sendo encontrados até mesmo em Guaratuba e na divisa com São Paulo, dentro do Parque Nacional do Superagui. O material utilizado nas contenções era composto por polipropileno, um plástico não biodegradável que pode se desfazer em microplásticos, prejudicando a vida marinha e afetando a cadeia alimentar.
Além da multa aplicada ao Governo do Estado, a empresa responsável pela contenção do degrau formado na praia também foi multada, totalizando R$ 330.000 em autuações devido ao desprendimento de materiais. A construtora Zuli foi multada em R$ 300.000 e R$ 30.000, sendo que mais de 90% dos materiais desprendidos foram recuperados posteriormente. Medidas corretivas foram adotadas pela empresa para evitar novos incidentes.
Apesar dos danos ambientais causados pelos sacos plásticos e pela degradação da restinga, o governo do Paraná afirmou que pretende manter os shows do Verão Maior no local nos próximos anos. A realização dos shows na Praia Brava de Caiobá é uma tradição, porém, há planos para instalar um recife artificial como forma de conter a força das ondas e evitar a erosão. A área de restinga, danificada durante os eventos, é considerada uma Área de Preservação Permanente.
Outra multa no valor de aproximadamente R$ 30.000 foi aplicada ao Governo do Paraná devido aos danos causados à vegetação nativa da restinga na região dos shows do Verão Maior. O Ministério Público Federal solicitou uma perícia para identificar o tipo de plástico utilizado na contenção do degrau na praia. A obra de “engorda” da faixa de areia realizada em 2022 também tem sido alvo de críticas de pesquisadores devido aos impactos ambientais negativos no ecossistema da região.




