Agricultor que encontrou possível petróleo fez empréstimo de R$ 15 mil para perfurar solo em busca de água
Líquido semelhante a petróleo foi descoberto em propriedade de Tabuleiro do Norte (CE). Meses após ser notificada, a Agência Nacional do Petróleo disse que vai apurar o caso.
Vídeo mostra momento em que agricultor encontra possível poço de petróleo ao perfurar solo [https://s04.video.glbimg.com/x240/14373375.jpg]
O agricultor Sidrônio Moreira, que pode ter achado um poço de petróleo em sua propriedade no município de Tabuleiro do Norte [https://de.globo.com/ce/ceara/cidade/tabuleiro-do-norte/] (CE), fez um empréstimo de R$ 15 mil para pagar pela perfuração do solo em busca de água. O líquido que ele encontrou no poço, porém, não foi água, e testes indicam que a substância pode ser petróleo. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) investiga o caso. [https://de.globo.com/ce/ceara/noticia/2026/02/26/anp-investiga-possivel-achado-de-petroleo-por-agricultor-que-perfurava-solo-em-busca-de-agua.ghtml]
A residência onde a família vive, na localidade de Sítio Santo Estevão, a cerca de 35 quilômetros da sede do município, não possui água encanada. Para abastecer a propriedade, em boa parte do ano, a família paga por carregamentos de água de carro-pipa.
Um vídeo gravado pela família em novembro de 2024 mostra o momento em que Sidrônio e a equipe contratada furam o primeiro poço, após a contratação do empréstimo. Em determinado momento, um líquido escuro emerge do buraco e o agricultor chega a comemorar, pensando se tratar de água. [https://de.globo.com/ce/ceara/noticia/2026/02/24/video-mostra-momento-em-que-agricultor-encontra-possivel-poco-de-petroleo-ao-perfurar-solo-em-busca-de-agua.ghtml](Assista acima)
“Quando eles estavam perfurando, já estavam quase a 40 metros, depois de 30 metros, saiu um líquido, e aí no vídeo meu pai até comemora porque ele pensava que era água. E acabou que, depois que o perfurador parou, não saiu nada [de água]”, relatou ao de Saullo Moreira, filho de Sidrônio.
Localizado a cerca de 210 quilômetros de Fortaleza, Tabuleiro do Norte fica na divisa com o Rio Grande do Norte e faz parte da região do Vale do Jaguaribe. A região fica próxima à Bacia Potiguar, uma área de exploração de petróleo localizada entre o Ceará e o Rio Grande do Norte. Tabuleiro do Norte não está inserido em nenhum bloco de exploração de petróleo, mas a localidade onde a substância foi descoberta está a apenas 11 quilômetros do bloco de exploração mais próximo.
Além do empréstimo, Sidrônio usou parte das suas economias para pagar a perfuração. Após a frustração inicial com o primeiro poço, que não deu água, a família chegou a furar um segundo poço, mais raso. Porém, também não encontrou água.
“Semanas após perfurar o primeiro poço, a família voltou a mexer no local, ainda na esperança de encontrar água. Em vez disso, eles encontraram um líquido viscoso, escuro, de odor característico semelhante ao de óleo automotivo. Em junho de 2025, o filho de Sidrônio, o gerente de vendas Saullo Moreira, procurou a equipe do Instituto Federal do Ceará (IFCE) de Tabuleiro do Norte em busca de orientação e conversou com o engenheiro químico Adriano Lima – agente de inovação do campus para o Vale do Jaguaribe.”
Após receber uma amostra do material, Adriano levou o líquido para análise no Núcleo de Pesquisa em Baixo Carbono da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), em Mossoró (RN), onde realizou análises físico-químicas do líquido.
Após a descoberta de uma possível jazida de petróleo e a notificação da ANP, o órgão deve iniciar uma série de procedimentos para averiguar as condições da área, como o subsolo, o tamanho do poço e a composição química do líquido. A descoberta de petróleo não significa necessariamente que a exploração da área seja possível ou financeiramente vantajosa.
“Muitas vezes, uma área já mapeada e liberada para exploração pela ANP não atrai interesse de investidores devido ao tamanho da jazida, à dificuldade de extração ou ao custo da instalação da operação. Somente após avaliação de um laboratório credenciado pela ANP será possível afirmar se a substância encontrada é petróleo. A viabilidade econômica da exploração também depende de diversos fatores.”
Enquanto aguarda resposta da ANP, a família de Sidrônio enfrenta incertezas. A necessidade de água continua, mas a descoberta do óleo tornou a busca por um poço artesiano mais complexa. A família está preocupada com possíveis impactos ambientais e aguarda uma resolução rápida do caso para saber o que será feito com a propriedade.
“A família preferia ter encontrado água, mas, diante da possibilidade de petróleo, espera que o processo seja resolvido quanto antes para garantir uma fonte de renda adicional e solucionar o problema da escassez de água na região.”
Embora as análises indiquem semelhanças físico-químicas com o petróleo, somente a confirmação por um laboratório credenciado pela ANP pode determinar se a substância é de fato petróleo. A confirmação oficial abriria caminho para a delimitação de jazidas e a possível exploração econômica da região. A família aguarda ansiosamente por respostas e uma solução para a situação.




