Perigo de agulhas: coletores de lixo em risco em São Carlos, SP

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Tive que tomar coquetel um mês: coletor de lixo lembra ferimento com agulha no interior de SP

Neste ano, já são cinco ocorrências de acidente na coleta em São Carlos (SP), sendo quatro relacionadas com agulhas. O problema se agravou com canetas emagrecedoras.

Agulhas, vidros e outros objetos representam um risco para os coletores de lixo em São Carlos, SP.

O descarte irregular de seringas, agulhas e objetos cortantes tem colocado em risco a saúde dos coletores de lixo em São Carlos (SP). O problema se agravou com o aumento do uso das chamadas “canetas emagrecedoras”, que utilizam agulhas semelhantes às de insulina.

Em 2025, foram registrados 13 acidentes de trabalho envolvendo coletores de lixo na cidade, sendo oito deles decorrentes de perfurações com agulhas. Neste ano, já são cinco ocorrências, quatro também relacionadas a agulhas. A empresa responsável pela coleta, São Carlos Ambiental, informou que sete colaboradores estão com a saúde monitorada devido a esses episódios.

A rotina desses profissionais é marcada por esforço físico intenso: uniformizados de laranja, percorrem até 30 km por dia recolhendo sacos de lixo. Apesar da experiência, nem sempre conseguem identificar materiais perigosos misturados ao lixo comum. Apontam que é comum encontrar muito vidro dentro das sacolas, além de espelhos quebrados, o que representa uma falta de respeito com os coletores.

O coletor Breno Sérgio foi vítima duas vezes em sequência, em novembro e dezembro do ano passado, após ter sido furado por uma agulha. Ele precisou tomar coquetel por um mês e enfrentou problemas de saúde como enjoo e imunidade baixa.

Segundo a infectologista Suzi Berbert, o risco vai além de cortes superficiais, já que as perfurações podem transmitir vírus como HIV e hepatites, além de bactérias resistentes. Por isso, os protocolos de prevenção incluem o uso de medicamentos por até 30 dias e acompanhamento sorológico por meses. A supervisora de segurança do trabalho Aline Rodrigues reforça que uma ação simples de descarte adequado de agulhas e seringas em recipientes tampados e em postos de saúde pode prevenir acidentes graves.

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