CDBs irreais e carteiras de crédito falsas: entenda a crise que derrubou o Banco Master e levou Vorcaro à prisão
Banco já vinha sob risco de falência devido ao custo elevado de captação e à exposição a investimentos considerados arriscados com juros muito acima do mercado.
Daniel Vorcaro é preso pela PF em SP
Daniel Vorcaro é preso pela PF em SP
A liquidação do Banco Master pelo Banco Central, em novembro do ano passado, e a nova prisão de Daniel Vorcaro, dono da instituição, marcam mais um capítulo de uma crise que já vinha se desenhando há meses e que também levou à liquidação do Will Bank e do Banco Pleno, integrantes do mesmo grupo.
Vorcaro foi preso novamente nesta quarta-feira (4), em São Paulo, pela Polícia Federal, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de crimes como ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos atribuídos a uma organização criminosa.
O banco operava sob risco elevado de insolvência, pressionado pelo alto custo de captação e pela exposição a investimentos considerados arriscados, com juros muito acima do padrão de mercado.
Tentativas de venda, como a proposta do Banco de Brasília (BRB), não avançaram. Todas foram interrompidas por questionamentos de órgãos de controle, falta de transparência, pressões políticas e menções ao Master em investigações.
De acordo com advogados consultados pelo DE, com a liquidação extrajudicial, o Master fica “congelado”. Ou seja, nada entra ou sai até que o liquidante nomeado pelo Banco Central organize ativos e credores.
Segundo Adilson Bolico, sócio do Mortari Bolico Advogados, é como se o banco “fechasse as portas para fazer um balanço”.
Os casos ainda pendentes envolvem empresas, menores de idade e inventários, que exigem mais documentação. Os pagamentos do Will e do Pleno ainda não começaram porque as listas de credores não foram concluídas.
Com a forte redução do caixa — que antes superava R$ 140 bilhões —, o FGC estuda medidas para recompor recursos, como antecipar contribuições dos bancos, criar cobranças extras e negociar com o Banco Central o uso de parte do compulsório.
Como o colapso do Banco Master mostrou os limites da garantia do FGC
CDBS A JUROS IMPOSSÍVEIS
O sinal de alerta no mercado ficou mais evidente quando o banco passou a oferecer produtos financeiros com remunerações muito acima do padrão. O principal deles eram os CDBs emitidos pela instituição.
Jeff Patzlaff, planejador financeiro e especialista em investimentos, destacou que as taxas oferecidas pelo Banco Master eram excessivamente altas e indícios de um pedido desesperado por recursos.
Esse movimento foi uma tentativa de captar dinheiro rapidamente após perder acesso a crédito barato de grandes instituições financeiras. O banco recorreu a investidores pessoa física oferecendo taxas “irresistíveis” para tentar cobrir rombos operacionais.
O colapso do Banco Master expôs a prática de operar com ativos de baixa qualidade registrados como de boa qualidade, além de utilizar recursos de novos investidores para pagar investidores antigos, em uma dinâmica não sustentável a longo prazo.
Na mira das investigações
Segundo a Polícia Federal, as investigações envolvendo o Banco Master começaram em 2024, após uma requisição do Ministério Público Federal. O objetivo era apurar a possível “fabricação” de carteiras de crédito falsas por uma instituição financeira.
Durante audiência na CPI do Crime Organizado, no Senado, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou que o esquema de fraudes financeiras que levou à prisão do presidente do Banco Master e de quatro diretores pode ter movimentado cerca de R$ 12 bilhões.
Com a liquidação extrajudicial, todas as operações do Banco Master foram encerradas de imediato. A diretoria foi afastada e o Banco Central nomeou um liquidante, que passou a controlar a instituição.
Para os clientes do Banco Master, a liquidação extrajudicial implicou na suspensão de saques e transferências imediatas, bem como a interrupção de pagamentos e débitos originados na instituição até orientação do liquidante.
Fique por dentro dos desdobramentos do caso Banco Master no DE e saiba como as medidas adotadas após a liquidação afetam os clientes e investidores da instituição financeira.




