A decisão do ministro André Mendonça, do STF, que ordenou a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, aponta indícios de um plano para intimidar o colunista Lauro Jardim, do O Globo. O plano envolvia simular um assalto para prejudicar violentamente o jornalista, a fim de silenciar a voz da imprensa que se mostrasse contrária aos seus interesses privados. Não foi a primeira vez que Jardim sofreu ameaças.
Gustavo Bebianno, ex-secretário-geral da Presidência no governo Bolsonaro, relatou que um aliado do presidente tentou sequestrar Jardim em São Paulo. Bebianno faleceu em 2020, mas o caso chegou à direção do Grupo Globo e o suspeito foi notificado para não mais se aproximar do colunista. Ele afirmou que o mesmo indivíduo ameaçou outras profissionais da imprensa.
Mensagens da Polícia Federal revelaram que Vorcaro participava de um grupo de WhatsApp chamado ‘A Turma’, onde discutiam ações de monitoramento e intimidação contra pessoas incomodas ao empresário. Nas mensagens, Vorcaro e um indivíduo apelidado de ‘Sicário’ coordenavam vigilância e coleta de dados do jornalista: ‘Tinha que colocar gente seguindo esse cara. Pra pegar tudo dele’.
Em outra parte da conversa, discutem sobre a possibilidade de agredir fisicamente Jardim durante um assalto. Mourão, o ‘Sicário’, seria responsável pela coordenação de atividades de vigilância e coleta de dados de pessoas críticas ao Banco Master, incluindo consultas indevidas em sistemas restritos de órgãos públicos.
Os diálogos divulgados na decisão judicial mostram a intenção de causar danos físicos ao jornalista, como ‘Quebrar todos os dentes. Num assalto’. A investigação apontou que Mourão também acessou indevidamente bases de dados da PF, MPF e sistemas internacionais. A tentativa de sequestro e intimidação de Lauro Jardim é um grave atentado à liberdade de imprensa.




