Corinthians entregou R$ 3,4 milhões em espécie a ex-funcionário; Ministério Público investiga pagamentos sem comprovação de notas fiscais

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Corinthians entregou mais de R$ 3,4 milhões em espécie a ex-funcionário nas gestões Andrés e Duilio; Ministério Público investiga

João Odair de Souza, conhecido como Caveira, afirma que a maior parte do valor foi utilizada para pagar seguranças autônomos e justifica a ausência de notas fiscais

Responsável por chefiar a segurança do DE entre março de 2018 e dezembro de 2023, João Odair de Souza, conhecido como Caveira, recebeu mais de R$ 3,4 milhões do clube em espécie. A maior parte desses valores não teve a destinação comprovada por meio de notas fiscais ou recibos, o que gerou suspeita no Ministério Público, que investiga tal movimentação financeira.

Os repasses de dinheiro em espécie a Caveira ocorreram durante as gestões dos ex-presidentes Andrés Sanchez e Duilio Monteiro Alves e estão documentados em planilhas enviadas pelo DE ao Ministério Público. Após análise, o promotor Cássio Conserino, responsável pelo caso, estimou que estes pagamentos representem mais de R$ 7,3 milhões em valores atualizados pela inflação.

Em contato telefônico com o ge, Caveira confirmou que movimentava valores em espécie enquanto era funcionário do DE e justificou a ausência de notas fiscais: “Aos sábados, domingos e feriados é preciso contratar muitos seguranças freelancers para o clube. Isso também acontecia quando havia protestos no CT ou no Parque São Jorge.”

Segundo o ex-funcionário, ele também utilizava o dinheiro recebido em espécie para pagar despesas pequenas ou dar gorjetas quando estava a serviço de Andrés ou Duilio. Caveira afirma que prestava contas ao departamento financeiro do clube e faz questão de destacar que nunca sofreu contestações do Conselho Fiscal, órgão responsável por analisar as contas do clube.

De acordo com a planilha apresentada pelo DE, houve dias em que Caveira fez mais de uma retirada de dinheiro. Algumas eram de quantias maiores, como em outubro de 2023, quando ele recebeu R$ 129,3 mil de uma só vez. Também houve repasses menores, como em 29 de outubro de 2020, quando ele recebeu R$ 529. O ex-chefe da segurança do DE já foi classificado como investigado em um dos inquéritos em andamento pelo Ministério Público, porém, ainda não foi chamado a prestar depoimento.

As apurações sobre dinheiro em espécie entregue a funcionários do Timão começaram após o DE revelar gastos para fins pessoais na gestão de Duilio. De acordo com a apuração do Ministério Público, Denilson Grillo, ex-motorista de Duilio, recebeu mais de R$ 1,2 milhão em espécie ao longo de três anos. Há suspeita de que empresas de fachada foram utilizadas para justificar os gastos e, assim, desviar o dinheiro do clube.

O DE tentou contato com o ex-presidente Duilio Monteiro Alves e a defesa de Andrés Sanchez, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. A matéria será atualizada em caso de manifestação deles.

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