Operação do MP e PF desmantela esquema de corrupção na Polícia Civil de SP

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MP e PF fazem operação contra esquema de corrupção e lavagem de dinheiro na
Polícia Civil de SP

O Ministério Público de São Paulo e a Polícia Federal realizam na manhã desta
quinta-feira (5) uma operação contra um esquema de corrupção sistêmica e lavagem
de dinheiro que teria se instalado em departamentos estratégicos da Polícia
Civil de São Paulo.

A investigação, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime
Organizado (Gaeco), do Ministério Público, apura a participação de policiais,
advogados e operadores financeiros.

De acordo com a decisão do juiz Paulo Fernando Deroma de Mello, o grupo teria
transformado delegacias especializadas em um centro de negociações para garantir
a impunidade de criminosos. Entre as medidas autorizadas estão prisões
preventivas, mandados de busca e apreensão e o bloqueio de bens e valores dos
investigados.

A investigação aponta que a organização criminosa utilizava métodos sofisticados
para ocultar a origem de recursos ilícitos, incluindo o uso de empresas de
fachada e a simulação de operações de importação.

Um dos pontos centrais do esquema seria a conversão de dinheiro em espécie em
créditos de vales-refeição, operada por meio de estabelecimentos comerciais
fictícios.

Os doleiros Leonardo Meirelles e Meire Poza, alvos da Operação Lava Jato, são
apontado como operadores do grupo. Segundo o Ministério Público, a rede contava
com a colaboração de agentes públicos para evitar fiscalizações e encerrar
inquéritos após o pagamento de propina.

O documento judicial detalha episódios de corrupção no Departamento de
Investigações Criminais (Deic) e no Departamento de Polícia de Proteção à
Cidadania (DPPC). Em um dos casos relatados, investigados teriam tido acesso às
dependências do DPPC para substituir um disco rígido (HD) apreendido por um
dispositivo sem informações incriminatórias.

Também há menções a pagamentos de propina realizados no hangar do Serviço
Aerotático da Polícia Civil, no Campo de Marte, e extorsões conduzidas no âmbito
do 16º Distrito Policial (Vila Clementino). Em um dos episódios citados pela
Promotoria, policiais teriam exigido R$ 5 milhões para não dar prosseguimento a
um inquérito.

Foram decretadas as prisões de 13 investigados. A Justiça autorizou o
cumprimento de mandados de busca e apreensão em 41 endereços ligados aos
investigados e às empresas de fachada utilizadas pelo grupo. Os alvos incluem
residências particulares, escritórios de advocacia e as sedes das delegacias
onde os policiais investigados estavam lotados (DPPC, DEIC e 16º DP).

Ao fundamentar as medidas cautelares, o magistrado destacou o que classificou
como “subversão ao dever funcional” por parte dos agentes envolvidos.

A decisão ressalta que a gravidade dos fatos e a reiteração das condutas
justificam a intervenção judicial para interromper as atividades da
organização.

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