Polícia investiga sete novas mortes na UTI do Hospital Anchieta

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Polícia investiga sete novas mortes na UTI do Hospital Anchieta

A Polícia Civi do Distrito Federal investiga sete novas mortes no Hospital Anchieta possivelmente ligadas aos técnicos de enfermagem presos. A informação foi confirmada à TV Globo por fontes ligadas à investigação.

Dos sete novos casos suspeitos sendo investigados, três já estão com inquéritos abertos. Todas as mortes em apuração ocorreram no ano passado.

As famílias contaram em depoimento aos investigadores que se lembram dos técnicos de enfermagem suspeitos trabalhando no leito de UTI – e desconfiam que as mortes dos parentes podem ter sido provocadas por eles.

A justiça prorrogou por mais 30 dias a prisão dos três técnicos de enfermagem suspeitos de provocar a morte de pacientes na UTI do hospital Anchieta

Na tarde desta terça-feira (3), as técnicas de enfermagem Marcela Camille e Amanda Rodrigues prestaram novos depoimentos. Elas foram transferidas da Penitenciária da Colmeia para o Departamento de Polícia Especializada, onde foram ouvidas por duas horas e meia, na companhia dos advogados.

Já o técnico de enfermagem Marcos Vinícius prestou novo depoimento na última sexta-feira. A prisão temporária dos técnicos foi prorrogada no mês passado e termina no fim da próxima semana, assim como o prazo da polícia para concluir o inquérito e encaminhar ao Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT).

QUEM SÃO AS VÍTIMAS

São investigadas as mortes de:

  • Miranilde Pereira da Silva, 75 anos — morreu no dia 17 de novembro, seis dias depois de dar entrada no Anchieta com uma constipação.
  • João Clemente Pereira, 63 anos — era servidor público da Caesb. Ele também morreu no dia 17 de novembro, treze dias depois de dar entrada no Anchieta com tontura causada por um coágulo na cabeça.
  • Marcos Raymundo Fernandes Moreira, 33 anos — foi internado com dores abdominais e suspeita de pancreatite. Ele morreu no dia primeiro de dezembro.

Por que a prisão foi prorrogada?

A prisão dos três técnicos é temporária — uma medida prevista na legislação brasileira e usada durante a fase de investigação, quando a polícia precisa de tempo para reunir provas, ouvir testemunhas e esclarecer os fatos até concluir o inquérito.

PRINCIPAL SUSPEITO CONFESSOU OS CRIMES

Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo chegou a negar envolvimento, mas confessou os crimes em depoimento à Polícia Civil após ser confrontado com imagens das câmeras de segurança da unidade. Marcela também confessou.

Segundo a investigação, o homem injetou doses altas de um medicamento nos pacientes – ou seja, usou o produto como um veneno. Em uma das vítimas, ele também injetou desinfetante na veia.

Já as mulheres são acusadas de participar dos crimes “dando cobertura” ao outro técnico.

Ainda segundo a Polícia Civil, Marcos trabalhava há cinco anos na área. Após abrir a investigação interna, o Hospital Anchieta demitiu os três suspeitos.

O QUE DIZ A DEFESA DE MARCELA CAMILLY ALVES DA SILVA

“Escritório Luís Alexandre Rassi e a advogada Viviane Ferreira Silva Oliveira assumiram a defesa da técnica de enfermagem Marcela Camilly Alves da Silva de forma pro bono, por plena convicção de sua inocência. Marcela depôs em 12/01/2026 em momento de choque e fragilidade, sem orientação adequada, e suas respostas refletem apenas humanidade, surpresa e dor — não culpa; ontem, 04/03/2026, ela finalmente teve a oportunidade de esclarecer, com serenidade, os fatos e as dúvidas que pairavam.

Ao longo da investigação, houve a extração e análise de mídias que retratam Marcela como uma jovem profissional que tem orgulho da profissão que escolheu, que se dizia feliz porque, em seu plantão, ‘as pessoas não morriam’, justamente por acreditar estar cuidando e preservando vidas, jamais contribuindo para abreviá‑las.

Naturalmente, diante de uma imagem gravada, é correto afirmar ter visto um técnico de enfermagem aplicar uma injeção; há, porém, um longo caminho até concluir que ela anuiu, participou ou permitiu a morte daquelas pessoas, sobretudo porque as quebras realizadas não revelam qualquer ajuste, comando ou incentivo seu em relação aos atos hoje investigados.

O QUE DIZ O HOSPITAL ANCHIETA

“O Hospital Anchieta esclarece que foi a própria instituição que identificou indícios de ilícitos e comunicou o caso às autoridades competentes.

Desde então, o hospital permanece colaborando integralmente com as investigações conduzidas pela Polícia Civil do Distrito Federal, atendendo todas as solicitações realizadas no âmbito do processo investigativo, todas dentro dos prazos legais e institucionais, apresentando integralmente as documentações e informações solicitadas, bem como as imagens disponíveis.

Por envolver investigação em andamento sob segredo de justiça, a instituição não comenta detalhes das diligências, mas reafirma seu compromisso com a transparência, com a apuração rigorosa dos fatos e com a segurança da assistência prestada aos pacientes.”

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