Como doce, a ambrosia vem da tradição conventual portuguesa e chegou ao Brasil durante o período colonial. Verdade que o nome, sim, foi tomado da mitologia grega, mas nenhuma freira cozinhou leite, ovos e açúcar até talhar para agradar a Zeus, Afrodite ou Poseidon.
Por aqui, o creme grumoso ganhou variações regionais com canela, cravo, casca de limão e até coco. Virou até símbolo de prestígio em Goiânia.
A tradição nasceu no Palácio das Esmeraldas, inaugurado em 1937 como residência oficial do governo estadual. Gercina Borges Teixeira instituiu a ambrosia como a sobremesa solene das recepções e encontros.
De desejo na capital de Goiás, conquistou toda feira e mercado municipal sem jamais deixar de ser o doce legítimo do estado. Desde janeiro de 2025, é patrimônio gastronômico, cultural e imaterial goiano.
Ambrosia era uma paixão da poetisa Cora Coralina, que publicou uma receita em “Doceira e Poeta” e tentava provar que suas doçuras eram melhores que seus versos.
Chef do Palácio das Esmeraldas entre 2012 e 2015, Ian Baiocchi serve uma versão com sorvete de banana marmelo, coulis secreto, mirtilo passa, “falsa canela” e manjericão em sua trattoria, a 1929 (R$ 39).
Ian Baiocchi desbanca a sacralidade da receita: “A diferença é que lá se faz com leite condensado”.
A Ambrosia do Palácio tampouco leva canela! “Lá era assim, a Rosa que era uma das cozinheiras, fazia todo dia, não podia faltar”.




