O advogado Cláudio Martins Lourenço, que alegou ter sido agredido e algemado em uma delegacia no Distrito Federal, ao atender um cliente na segunda-feira (2), tem uma ampla ficha criminal.
O DE apurou que, entre as denúncias já feitas contra ele estão as de estupros, furto, estelionato, falsidade ideológica e descumprimento de medidas protetivas, com uma condenação registrada.
Cláudio Martins Lourenço disse que foi agredido na 26ª Delegacia de Samambaia. Nesta quarta (4), a Polícia Civil afirmou que a ação aconteceu porque advogado desobedeceu uma ordem de sair da delegacia e recusou “veementemente” a se identificar.
Diante da denúncia de agressão
Em nota publicada na quarta, o Sindicato dos Delegados se manifestou sobre a denúncia de agressão e também declarou que Cláudio tem amplo histórico criminal. “Causa estranheza que uma pessoa com amplo histórico criminal e condenações por estupros e recentemente presa por violência contra mulheres, possa estar nos quadros da OAB”, disse o sindicato.
Em nota encaminhada nesta quinta (5), a OAB disse que, no momento da inscrição de Cláudio Martins Lourenço na Ordem, foram apresentadas certidões de nada consta do Poder Judiciário. “Diante das informações que agora são trazidas pela imprensa, os órgãos competentes da OAB/DF serão acionados e às partes será garantido o direito ao contraditório e ampla defesa e o acesso fica restrito a elas, em processo que correrá em sigilo por forca de lei”, disse a OAB.
Confusão em delegacia
Segundo a OAB, Cláudio Martins Lourenço foi até a 26ª Delegacia na segunda-feira (2) para atender um cliente, que relatou ter sofrido agressões dentro da unidade.
A Polícia Civil disse que, durante a contenção de um preso com gás de pimenta, o delegado plantonista ordenou que todos deixassem a delegacia, por questões de segurança. O advogado “desobedeceu reiteradamente à ordem legal, recusando-se a sair do recinto”.
A polícia também disse que, quando a ordem de retirada foi feita, dois presos por tráfico de drogas estavam no saguão da delegacia, o que agravou o estado de perigo da desobediência do advogado.
Vídeo mostra advogado sendo detido
Um vídeo feito por uma testemunha mostra o momento em que o advogado foi detido pelos policiais. Neste momento, o policial e outro agente pegam o advogado pelo braço e o levam para dentro da delegacia.
Advogado: olha, estou sendo preso aqui.
O que disse o Sindicato dos Delegados em 4 de março
“O Sindicato dos Delegados de Polícia Civil do Distrito Federal – SINDEPO-DF vem a público manifestar-se acerca dos fatos ocorridos no dia 02 de março de 2026, envolvendo o Delegado de Polícia Felipe Lenon Nascimento Brito Rezende e o advogado Cláudio Martins Lourenço.
Na ocasião, a Delegacia de Polícia encontrava-se com intenso fluxo operacional, com diversas ocorrências, incluindo autos de prisão em flagrante. A unidade policial enfrentava situação concreta de risco no interior da carceragem.
Diante da escalada da tensão, o Delegado determinou a evacuação temporária do saguão e das dependências internas, medida técnica e preventiva.
O que disse a OAB em 4 de março
“Sobre o episódio na 26ª Delegacia de Polícia de Samambaia, a OAB/DF atuou na perspectiva da defesa das prerrogativas da advocacia e da apuração de condutas que podem configurar abuso de autoridade por parte de agentes da Polícia Civil, com comunicações às autoridades competentes e aos órgãos de controle para apuração.
A OAB/DF reafirma que prerrogativas não constituem privilégio pessoal, mas garantias do direito de defesa e do Estado Democrático de Direito, razão pela qual a Ordem se manifesta sempre que houver indícios de violação, independentemente de quem seja o profissional envolvido.
O que disse a Polícia Civil em 4 de março
“Nesta segunda-feira (2), durante a contenção de um preso com gás de pimenta, o delegado plantonista da 26ª DP (Samambaia Sul) ordenou a evacuação do interior da delegacia por questões de segurança. Um advogado que estava no local desobedeceu reiteradamente à ordem legal, recusando-se a sair do recinto.
Devido ao seu ânimo exaltado, foi necessário o uso progressivo de algemas. A comissão de prerrogativas da OAB foi acionada, compareceu ao local e acompanhou a lavratura do procedimento.




