O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, fez um discurso a conselheiros, nesta quinta-feira, para explicar a sua decisão de demitir o técnico Filipe Luís. Seu argumento é que havia divergências, foi feita uma tentativa de correção de rumo que não deu certo e não via um futuro vencedor para o clube com o treinador após análise em conversas internas.
A reunião tinha outro objetivo, de aprovar um patrocínio para o uniforme. Defendeu que não há momento ideal para tomar decisões difíceis com a saída de um ídolo.
Segundo Bap, a decisão foi tomada após seguidas reuniões com o próprio treinador. Veja trecho do discurso: “Algumas decisões difíceis, se você tomá-las às 3h da manhã, ao meio-dia de terça-feira, às 9h da noite de uma quinta-feira, antes do almoço, depois do jogo, antes de uma coletiva, não tem hora boa para você tomar algumas decisões difíceis, não tem gente, é sempre difícil. E uma outra coisa é o seguinte: ‘Ah, mas foi feito muito rapidamente’. Foi feito rapidamente porque existe causa e efeito, existe análise de processo de causa e efeito, um dia sim, o outro também depois dos jogos.
Duas vezes por semana você tem reuniões onde você fala do que você planejou, o que você fez, qual foi o resultado, e você discute uma série de assuntos. Eu não vou entrar em detalhes. Mas, quando você tem divergências num processo desse, estruturado, as divergências e as explicações elas estão ali contidas no dia a dia. Então quando você comunica uma decisão, por mais difícil que ela seja, não significa dizer que ela seja desprovida de explicação, é porque houve muita conversa e foram debatidos que de alguma maneira levava a uma preocupação importante, quando você olha o que? Para o presente e para o futuro vencedor.”
Na sequência, Bap afirma que houve uma tentativa de mudança de rumo em conversas com Filipe Luís. Mas, depois dessa intervenção, o dirigente diz ter entendido que não seria possível sob o comando do treinador.
“A tentativa de correção de rumo foi feita. Em algum momento, nós entendemos que isso não era possível e nós tomamos a decisão que tínhamos tomado. Essas decisões difíceis, por piores que elas possam parecer, quando você se depara com algumas situações que você não vê uma perspectiva positiva, gente, é melhor você tomar a decisão hoje do que amanhã.”
O dirigente não quis relevar quais os pontos do trabalho de Filipe que não o estavam agradando ou funcionando para o clube.
Em outra parte do discurso, Bap disse entender o fato de a torcida estar insatisfeita com a decisão de sua saída.
“Eu gostaria de ressaltar que as mudanças no futebol do Flamengo não apagam ou desabonam de maneira nenhuma o que o Filipe Luís fez pelo clube e a história que ele construiu no Flamengo como jogador e como treinador já está no lugar absolutamente merecido e na história do clube. Filipe é querido e, quando ele deixa o clube, sempre é um momento difícil para todo mundo. Eu compreendo perfeitamente a reação de parte da torcida.”
A demissão de Filipe Luís foi feita após decisão entre o diretor de futebol, José Boto, e Bap. Foi comunicada ao treinador após a semifinal do Carioca, na madrugada de terça-feira. Ocorreu em uma conversa rápida entre o diretor e o técnico.
Além das razões esportivas, citadas por Bap, o desgaste da renovação do treinador, que se prolongou por meses, também teve peso na decisão.
A medida causou incômodo em jogadores que se manifestaram favoravelmente ao treinador.
O Flamengo fechou com o substituto Leonardo Jardim logo no dia seguinte. Já havia negociações anteriores ao jogo com o treinador português.




