Bióloga voluntária reabilita animais silvestres no RS

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Um quarto com janelas teladas que serve de lar para dois falcões, mamadeiras com leite especial para um filhote de veado e noites em claro para aquecer uma ninhada de gambás. Cenas como essas são rotina na casa da bióloga Mariana Costa, em Alegrete, na Fronteira Oeste.

Desde 2018, ela mantém uma parceria voluntária com a Patrulha Ambiental (Patram) e transforma a própria residência em um centro de reabilitação provisório para animais silvestres. Mariana conta que o trabalho começou de forma espontânea quando ela, formada em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Pampa (Unipampa), retornou ao município.

O conhecimento acadêmico e o amor pelos animais fizeram com que vizinhos e conhecidos a procurassem ao encontrar animais debilitados ou machucados após acidentes.

Com o tempo, a iniciativa se tornou um apoio fundamental para a Patram local. A corporação, responsável por fiscalizações ambientais, frequentemente resgata animais que necessitam de cuidados intensivos, mas não possui estrutura para atendimento contínuo, 24 horas por dia. Além disso, a logística dificulta o encaminhamento para centros especializados.

Relevância da parceria com a bióloga

O sargento Rui Dias, da Patram de Alegrete, reforça a importância do trabalho da parceira e destaca que a expansão urbana para áreas rurais tornou a interação com a fauna inevitável, aumentando a demanda por resgates.

Segundo ele, o apoio técnico de Mariana é crucial para tomar decisões rápidas e corretas.

Para receber os “pacientes”, Mariana improvisa e adapta os espaços de sua casa. Atualmente, dois falcões, que chegaram filhotes e muito debilitados, vivem em um quarto exclusivo. Cada um deles perdeu uma perna, o que impede a soltura na natureza, pois não conseguiriam caçar.

Aves são a maioria dos animais atendidos, com um pico de resgates durante o período reprodutivo, entre setembro e janeiro. Contudo, a lista de espécies é diversa.

Diversidade de animais atendidos

Mariana já cuidou de uma ninhada de oito gambás órfãos, cuja mãe foi morta por cães. “Aquela foi uma noite muito intensa de aquecimento, de dar pinguinho por pinguinho do leite, que tem que ser sem lactose”, relembra.

Filhotes de graxaim-do-campo (Lycalopex gymnocercus), conhecido na região como sorro, e até um filhote de veado-campeiro (Ozotoceros bezoarticus) também passaram por seus cuidados. O cervo exigiu uma dieta especial, com quatro mamadeiras diárias de leite natural, e um cuidadoso processo de transição para a alimentação sólida.

O objetivo do trabalho é sempre a reabilitação para que o animal possa retornar ao seu habitat. Quando um animal está apto, a própria Mariana realiza a soltura, um dos momentos preferidos de sua rotina.

Envolvimento da comunidade

A comunidade também se envolve. O filhote de veado que ela criou foi solto em uma propriedade rural cujo dono, sensibilizado pela história, ofereceu a área, que é livre de caça e possui mata preservada.

Apesar de não buscar divulgação, Mariana acredita que a repercussão positiva de seu trabalho pode inspirar mais pessoas a ajudarem.

Para chamar o resgate da Patrulha Ambiental da Brigada Militar ou órgãos ambientais similares para animais silvestres feridos ou em local indevido, ligue para o 190 (Polícia Militar). No RS, o resgate de fauna pode ser acionado via telefone funcional 51 98593-1288 (WhatsApp/ligação) ou fixos 3288-7434 e 3288-7430) em horário comercial.

Recomendações importantes:

* Não toque no animal silvestre para evitar acidentes e estresse.
* Mantenha a calma e observe o comportamento do animal.
* Informe o endereço exato e detalhes sobre a situação do animal ao telefonar.

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