O empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, tentou vender um apartamento que é alvo de investigações por propina. O imóvel fica no Vizcaya Itaim, em São Paulo, um empreendimento de luxo ainda em construção. Os e-mails da CPMI do INSS mostram que ele buscou repassar o apartamento a terceiros no dia 17 de novembro, quando foi preso pela Polícia Federal no aeroporto de Guarulhos.
Antes da prisão, Vorcaro vendeu parte do controle da empresa Viking, proprietária do apartamento, para se distanciar do próprio patrimônio. No entanto, as mensagens revelam que ele estava envolvido na venda do imóvel em novembro. O apartamento estava avaliado em R$ 60 milhões, e a documentação necessária para a operação não foi totalmente entregue a tempo da prisão do empresário.
Paulo Henrique, ex-chefe do BRB, afirmou que não tem conhecimento sobre investigações criminais relacionadas ao caso. Os advogados de Vorcaro não se pronunciaram até o momento. Durante o dia de sua prisão, Vorcaro tentou realizar diversas ações para minimizar as consequências, como uma reunião com diretores do Banco Central e anúncio de venda do Master. Porém, acabou sendo preso enquanto tentava embarcar para o exterior.
Na tentativa de venda do imóvel, Bruno Bianco, ex-advogado-geral da União no governo Bolsonaro, atuou como advogado da parte interessada. Bianco afirmou que não tinha conhecimento prévio da prisão de Vorcaro ou de medidas contra ele. A operação não foi concluída, e Vorcaro foi detido no Aeroporto de Guarulhos.
A Operação Compliance Zero revelou a venda de carteiras de crédito falsas ao BRB pelo Master, que totalizavam R$ 12,2 bilhões. Sete pessoas foram presas nessa operação. O BRB, controlado pelo governo do Distrito Federal, havia proposto a compra do Banco Master, mas a transação foi reprovada pelo Banco Central em setembro do mesmo ano.
A venda do apartamento no Vizcaya Itaim é mais um capítulo da complexa trama que envolve o empresário Daniel Vorcaro e seus negócios. Os desdobramentos desse caso ainda são aguardados, e a investigação sobre possíveis atividades criminosas relacionadas ao empresário continua em andamento.
O caso demonstra a complexidade das relações entre empresários, instituições financeiras e o poder público. A tentativa de venda do apartamento suspeito de ser propina evidencia a necessidade de investigações criteriosas e ações firmes para combater a corrupção e crimes financeiros no país.




