Na semana que marca o Dia Internacional da Mulher, celebrado no domingo (8), a
Globo Recife exibe em seus telejornais uma campanha nacional de conscientização sobre violência de gênero.
A iniciativa tem o mote “Enfrentar a violência contra a mulher é nosso papel”.
A ação inclui uma série especial sobre feminicídio e vídeos sobre violência
contra a mulher com as repórteres Beatriz Castro, Camila Torres, Mônica Silva e
Sabrina Rocha, além de uma faixa de conscientização na sede da emissora, no
Centro do Recife. A iniciativa busca ampliar o debate sobre o tema, incentivando
a conscientização, a mudança de atitudes e a responsabilização.
Primeiro episódio da série especial “Marcas”
No sábado (7), o NE1 estreia a série especial “Marcas”, que conta histórias de
vítimas de feminicídio e será exibida durante os telejornais até o dia 14.
A proposta é mostrar quem eram essas mulheres antes de se tornarem estatísticas
e contar um pouco sobre suas vidas, trabalhos e famílias, que até hoje sentem
suas ausências.
Histórias das vítimas
No primeiro episódio, familiares e amigos de três vítimas contam como a vida
mudou após os crimes. São elas:
Maristela Just: morta pelo ex-marido, José Ramos Lopes Neto,
que não aceitava o fim do relacionamento, no dia 4 de abril de 1989. O homem
invadiu a casa do sogro e se trancou em um dos quartos com Maristela e os
dois filhos do casal. Ele deu três tiros na vítima, que morreu no local. O
filho caçula, que tinha dois anos na época, levou um tiro na cabeça. A filha
mais velha, de quatro anos, foi atingida no ombro;
Mirella Sena: morta pelo vizinho, Edvan Luís da Silva
com um golpe de faca no flat onde morava, no bairro de Boa Viagem, na Zona Sul do
Recife, no dia 5 de abril de 2017;
Renata Alves: morta pelo namorado, João Raimundo Vieira da Silva de Araújo,
com um tiro dentro do apartamento onde morava, em Campo Grande, na Zona Norte
do Recife, no dia 6 de agosto de 2022.
O primeiro episódio também conta a história de Luísa Barros, sobrevivente
de uma tentativa de feminicídio. Ela foi espancada com um bastão de madeira pelo
marido, Numeriano Luiz de Sá, que na época era secretário de Esportes e Lazer de
Calumbi, no Sertão de Pernambuco.
Abordagens na programação da Globo
Durante a programação da TV Globo, as repórteres Beatriz Castro, Camila Torres,
Mônica Silva e Sabrina Rocha também vão abordar o tema a partir de frases comuns
utilizadas por homens em contextos de violência. “Sem mim, você não tem mais
ninguém no mundo” e “isso é tudo coisa da sua cabeça” são exemplos de discursos
que expressam manipulação e abuso psicológico.
Em outro vídeo, é apresentada a sinalização de pedido de ajuda para denúncia de
violência doméstica em momentos de perigo. O gesto é feito em três etapas:
Primeiro, a vítima mostra a palma da mão aberta, voltada para fora;
Em seguida, dobra o polegar para dentro da mão;
No final, fecha os outros dedos sobre o polegar.
Em outro vídeo, é abordado o aumento dos casos de violência doméstica em dias de
jogos de futebol. Outra produção também fala sobre o ciclo da violência
doméstica, destacando a repetição de padrões em que o crime é seguido por
pedidos de desculpa e promessas de mudança.
Além da série “Marcas”, a sede da Globo Pernambuco exibe, na fachada, uma faixa
de conscientização sobre a violência contra a mulher. Com o texto “Enfrentar a
violência contra a mulher é nosso papel. Denuncie! Ligue 180”, a ação reforça a
importância da denúncia e do combate à violência de gênero.
Da ficção para a vida real
Uma campanha nacional também contará com a veiculação de um filme com atores que
interpretaram personagens envolvidos em narrativas de violência, criando uma
ponte entre a ficção e a realidade.
Estrelam a campanha Dan Stulbach, que viveu Marcos em Mulheres Apaixonadas;
Ronnie Marruda, o Cigano de Senhora do Destino; Enrique Diaz, intérprete de
Gerson em Volta por Cima; e Emílio Dantas, que deu vida a Theo em Vai na Fé.
A proposta reforça a ideia de que esses personagens existem na ficção porque, na
vida real, há homens que reproduzem os comportamentos violentos das histórias. A
mensagem central destaca que enfrentar a violência contra a mulher é um papel de
toda a sociedade.
Atendimento para mulheres vítimas de violência
No Recife, mulheres vítimas de violência podem receber acolhimento, atendimento
multidisciplinar e orientações de profissionais especializados nos seguintes
locais:
Centro de Referência Clarice Lispector: Rua Doutor Silva Ferreira, 122, Santo
Amaro (atendimento 24 horas);
Serviço Especializado e Regionalizado (SER) Clarice Lispector: Avenida
Recife, 700, Areias (atendimento de segunda a domingo, das 7h às 19h);
Salas da Mulher em cinco unidades do Compaz — Eduardo Campos (Alto Santa
Terezinha), Ariano Suassuna (Cordeiro), Dom Hélder Câmara (Coque) e Paulo
Freire (Ibura).
Além disso, existe um Plantão WhatsApp, com funcionamento 24 horas, no número
(81) 99488-6138.
Como denunciar
Em Pernambuco, as denúncias de violência contra mulher podem ser feitas
através do telefone 180, da Central de Atendimento à Mulher, que funciona 24
horas por dia, inclusive aos finais de semana e feriados;
A Polícia Militar pode ser contatada pelo 190, quando o crime estiver
acontecendo;
Também é possível, no Grande Recife, fazer denúncias pelo Disque-Denúncia da
Polícia Civil, no número (81) 3421-9595;
O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) também pode ser acionado de segunda
a sexta-feira, das 12h às 18h, através de uma ligação gratuita para o número
0800.281.9455;
Outra opção é a Ouvidoria da Mulher de Pernambuco, que funciona pelo telefone
0800.281.8187;
Os endereços e telefones das Delegacias da Mulher podem ser consultados no
site do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE).




