Lead expandido (fato principal + impacto imediato)
A trilha sonora da vida de Romário Menezes de Oliveira Jr. – o baterista, compositor e produtor musical pernambucano conhecido pelo nome artístico de Pupillo – parece conter a música do mundo. Um recorte dessa trilha foi apresentado há seis anos no álbum em que o baterista adotou o codinome de Sonorado e reprocessou temas de novelas, à frente da banda que formou com virtuoses como Thomas Harres (baterista arregimentado para a percussão). Ali, naquele álbum intitulado “Sonorado apresenta novelas” (2020), foi fundada a base do que pode ser considerada a discografia solo de Pupillo.
Gravado em estúdio de Los Angeles (EUA) e editado pela gravadora norte-americana Amor in Sound, “Pupillo” é álbum de produtor, essencialmente instrumental e repleto de convidados, com temas em que o artista nascido no Recife (PE) fala e toca de Pernambuco para o mundo.
Em texto publicado nas redes sociais do artista, Pupillo explicou a rota existencial e sonora do álbum. “O meu disco reverencia os símbolos e paisagens do Nordeste brasileiro, principalmente do meu estado, Pernambuco. Lugar que me deu a oportunidade de vivenciar e celebrar a riqueza da nossa cultura desde o litoral até o sertão. O álbum é apenas um pequeno recorte das minhas memórias e de algumas experiências vividas ao longo da caminhada. Faço parte de uma geração que encontrou nas adversidades o combustível para reacender a chama da autoestima e transformar essa riqueza em novas formas de expressão, sempre respeitando a tradição, mas sobretudo, entendendo a necessidade de renovação na construção de nossa identidade através de uma movimentação que resultou no Manguebit”, contextualiza Pupillo, citando o movimento musical pernambucano que irrompeu no Brasil em 1994 a reboque de nomes como a Nação Zumbi, banda que projetou o baterista em escala nacional a partir de 1995.
Pupillo apresenta 12 músicas autorais sem letras
Outra parceria de Pupillo com Continentino, “Tropical exótica” abre o álbum e se impõe como a grande música da safra autoral do compositor no disco pela beleza da música em si e pelo grande poder de sedução da textura sonora dessa faixa meio psicodélica que parece evocar algum lugar do passado na trilha sonora da vida de Pupillo. Trilha cinematográfica, diga-se.
Pilotando bateria, percussões, MPC e synth, entre outros instrumentos, o músico faz uma música do mundo de tom contemporâneo, partindo do Recife (PE) natal. Às vezes, o sotaque do álbum é mais universal, como exemplifica o suingue funky que conduz “Bem bom”, parceria de Pupillo com Hervé Salters, tecladista do grupo francês de rock-funk eletrônico General Elektriks, convidado da faixa.
Em outras vezes, o som de Pernambuco está enraizado na gênese da música, caso de “Pifando”. Os pífanos tocados por Alexandre Rodrigues – creditado como coautor do tema em parceria com Pupillo e o recorrente Alberto Continentino – explicitam a referência da célebre banda de Caruaru (PE).
Capa do primeiro álbum ‘Pupillo’
Com cerca de 37 minutos, a viagem do álbum “Pupillo” resulta agradável. O real primeiro disco solo de Pupillo Oliveira termina com a sensação de que cumpriu as expectativas e de que, talvez, possa ganhar ainda mais relevância com o passar dos anos, soando como vivaz retrato da pluralidade da música de Pernambuco no século XXI.
Gravado com produção musical orquestrada por Mario Caldato Jr. (também responsável pela apropriada mixagem) com Pupillo, o álbum fecha a rota sonora intercontinental com o tema “De chegada”, parceria de Pupillo com Pedro Martins (na guitarra, no órgão Hammond e no piano Rhodes).
Com cerca de 37 minutos, a viagem do álbum “Pupillo” resulta agradável. O real primeiro disco solo de Pupillo Oliveira termina com a sensação de que cumpriu as expectativas e de que, talvez, possa ganhar ainda mais relevância com o passar dos anos, soando como vivaz retrato da pluralidade da música de Pernambuco no século XXI.




