Planalto avalia que pesquisa que mostra empate entre Lula e Flávio reflete momento de desgaste

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O empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em uma simulação de segundo turno da eleição presidencial de 2026, apontada na pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (7), acendeu um sinal de alerta no governo. Interlocutores do Planalto avaliam que o resultado reflete um momento de desgaste político da gestão petista.

O levantamento mostra Lula com 46% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro, que aparece com 43%. A diferença de três pontos percentuais está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

Como explicação para o resultado, auxiliares do presidente citam a repercussão de investigações que atingem o entorno de Lula. Entre os episódios mencionados está a ofensiva da CPMI do INSS que levou à quebra de sigilo do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, caso que ampliou a pressão política sobre o governo nas últimas semanas.

Nos bastidores, integrantes do governo reconhecem que Flávio vinha sendo tratado com certo ceticismo dentro do próprio sistema político e avaliam que o novo cenário reforça a necessidade de o PT antecipar a estratégia de confronto com o senador caso ele continue avançando nas pesquisas.

O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), afirmou que o resultado expressa o ambiente de polarização política do país, mas disse acreditar que o presidente segue como favorito.

Entre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, o resultado foi interpretado como um indicativo de que a estratégia de apresentar Flávio Bolsonaro como uma versão mais moderada do bolsonarismo começa a produzir efeito eleitoral.

O desempenho do senador também passou a ser acompanhado com mais atenção por partidos do centrão. Na federação formada por União Brasil e PP, interlocutores afirmam que levantamentos internos já colocam Flávio em posição competitiva, inclusive à frente de Lula em alguns cenários.

Na leitura de integrantes do partido, o senador tem adotado nesta fase inicial da pré-campanha um perfil mais moderado — apelidado internamente de “Bolsonaro paz e amor” — o que ajuda a ampliar seu alcance fora do núcleo mais fiel do bolsonarismo.

Até poucas semanas atrás, interlocutores de partidos de centro e centro-direita subestimavam o potencial eleitoral do senador. A aposta predominante era que o campo da direita acabaria se reorganizando em torno de outros nomes, especialmente o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ou alternativas fora do núcleo familiar do ex-presidente.

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