Caso Master e quebra de sigilo de Lulinha acirram troca de ataques entre governistas e bolsonaristas na pré-campanha

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A antecipação do ambiente de campanha acirrou as duas linhas de atuação. O governo vinculou o escândalo financeiro ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) após auxiliares de Lula terem sido alertados de que a oposição tentaria fazer a relação em sentido contrário. A linha política é vocalizada pela ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann.

“A operação da Polícia Federal expõe definitivamente a corrupção do Banco Central de Jair Bolsonaro e Roberto Campos Neto no escândalo Master. Por que será que Campos Neto não agiu contra as fraudes de Vorcaro enquanto era presidente do BC?”, afirmou Gleisi logo após a prisão de Vorcaro, na quarta-feira.

Campos Neto presidiu a autoridade monetária no governo Bolsonaro, quando o Master foi criado e cresceu. Ele é apontado como referência econômica entre os bolsonaristas e tem seu nome citado como potencial ministro da Fazenda em um eventual governo Flávio. Auxiliares de Lula avaliam que relacioná-lo ao caso Master pode ser um caminho para descredenciar sua imagem de gestor financeiro eficiente. Procurado, o ex-chefe do BC não comentou.

Outro nome próximo a Flávio na mira é o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). Após a colunista Malu Gaspar, do GLOBO, revelar que o parlamentar voou em um avião de Vorcaro durante a campanha eleitoral de 2022, governistas passaram a explorar a ligação do bolsonarismo com o banqueiro. Nikolas afirma que, na época, não sabia quem era o proprietário da aeronave.

A artilharia eleitoral relacionada ao caso também envolveu a produção de vídeos que associam adversários de Lula ao escândalo do Master. Apesar de apócrifos, parlamentares viram dedo do Planalto por trás das publicações. Governo e PT negam a autoria.

Em uma das peças que circularam entre políticos, produzida por meio de inteligência artificial, Vorcaro aparece dizendo que o dinheiro investido no banco Master servia para “as campanhas políticas milionárias dos nossos candidatos”, seguido por representações do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e de Bolsonaro. Cunhado do banqueiro, o empresário e pastor Fabiano Zettel foi o maior doador eleitoral dos dois em 2022. Ele também foi preso na semana passada.

Auxiliares de Lula avaliam ter mais argumentos que a oposição para mostrar que a atual gestão agiu para estancar a fraude do Master e citam a atuação do presidente do BC, Gabriel Galípolo, e da Polícia Federal. Ao mesmo tempo em que pretende mostrar que agiu contra o esquema, a cúpula do PT, no entanto, quer afastar a corrupção como tema central da eleição, pois teme que se torne armadilha para Lula.

Do lado bolsonarista, a estratégia adotada em relação ao caso é argumentar que o Master também tem ramificações que atingem setores do PT. O ministro da Casa Civil, Rui Costa, é um dos principais alvos.

Quando era governador da Bahia, Costa articulou a privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), dona da rede de supermercados Cesta do Povo, arrematada em 2018 por Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no agora liquidado Banco Master. O auxiliar de Lula nega irregularidades no negócio, que diz ter sido benéfico para o estado.

Outro ponto que aliados de Flávio citam para tentar vincular o caso ao PT é uma reunião entre Lula e Vorcaro em dezembro de 2024. O encontro, fora da agenda oficial, foi viabilizado pelo ex-ministro Guido Mantega, que se tornou consultor do Master.

— Lula está envolvido até o pescoço. Recebeu o banqueiro, com sigilo, sem querer dar publicidade — afirmou o líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto (PL-PB).

Bolsonaristas começaram a explorar ainda as mensagens entre Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), e Vorcaro, também reveladas por Malu Gaspar no GLOBO, na última quinta-feira. Relator da trama golpista na Corte, o magistrado foi, nos últimos anos, um dos principais alvos do grupo.

A principal aposta para desgastar Lula, porém, está em outra investigação, a que apura suspeitas de ligações de um dos filhos do presidente com personagens das fraudes no INSS. Dados sobre a movimentação financeira de Lulinha, como Fábio Luís é conhecido, deram fôlego para a oposição.

Documentos em análise pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do INSS mostram que Lulinha movimentou R$ 19,5 milhões em quatro anos em uma conta. Nos registros, constam três transferências feitas por Lula, somando R$ 721,3 mil. A defesa do filho do presidente nega qualquer irregularidade.

As suspeitas sobre Lulinha surgiram após a PF encontrar trocas de mensagens entre uma empresária amiga dele e o Careca em que ele cita “o filho do rapaz” como beneficiário de pagamentos. Na conversa, ele não cita nomes.

— (O caso) Master pega direita e esquerda. Lulinha pega a esquerda. Se a definição for em torno desses dois, a direita na balança sai ganhando — define a senadora Damares Alves (Republicanos-DF).

Para enfrentar a artilharia bolsonarista, aliados de Lula têm usado o discurso de “transparência total” quanto às contas de Lulinha. No mês passado, o presidente disse em entrevista ao UOL ter conversado com o filho sobre as suspeitas e disse que ele deveria se defender e que, “se tiver alguma coisa, vai pagar o preço”.

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