Quase metade das mortes violentas de mulheres no Brasil foi cometida com arma de fogo em 2024, segundo levantamento do Instituto Sou da Paz divulgado neste domingo (8).
De acordo com a pesquisa “Pela Vida das Mulheres: o Papel da Arma de Fogo na Violência de Gênero”, 47% dos homicídios de mulheres registrados no país naquele ano foram cometidos com arma.
No total, 3.642 mulheres morreram em homicídios em 2024, segundo dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde.
Esse total inclui todas as mortes de mulheres classificadas como homicídio, que reúnem óbitos provocados por agressão, feminicídio e também casos de morte decorrente de intervenção policial, segundo a metodologia do estudo.
HOMICÍDIOS CAEM, FEMINICÍDIOS AUMENTAM
Os dados do relatório indicam que 1.492 homicídios de mulheres registrados em 2024 foram classificados como feminicídio, quando a investigação identifica que o crime ocorreu em razão da condição de gênero da vítima.
Esse tipo de crime representou cerca de 40% dos homicídios de mulheres registrados no país em 2024. A taxa representa um aumento em relação a 2023, quando 36,8% dos assassinatos de mulheres foram classificados como feminicídio.
ONDE OCORREM
Os dados indicam que a maior parte dos homicídios de mulheres ocorre em residências.
Em 2024, 35% das mortes aconteceram dentro de casa e 29% em vias públicas em 2024. Parte dos registros não informa o local da ocorrência.
Quando são desconsiderados os casos sem informação sobre o local, o levantamento aponta 45% das mortes em residência e 37% em vias públicas.
PERFIL DAS VÍTIMAS
O levantamento aponta que 67,5% das mulheres vítimas de homicídio no país são negras, considerando mulheres pretas e pardas. Nos casos de violência armada, essa proporção chega a 72,3%.
Nas mortes com arma de fogo, a taxa entre mulheres negras mortas (66%) é mais que o dobro da registrada entre mulheres não negras (31%).
DIFERENÇAS REGIONAIS
A região Nordeste concentrou 38% dos homicídios de mulheres registrados em 2024 e apresentou a maior taxa por grupo de 100 mil mulheres.
Na região, 51% dos homicídios femininos foram cometidos com arma de fogo, percentual superior ao observado nas demais regiões.
FLEXIBILIZAÇÃO DAS ARMAS
Especialistas apontam que mudanças nas políticas de acesso a armas de fogo também fazem parte do debate sobre a violência armada no país.
Entre 2018 e 2022, o número de registros de colecionadores, atiradores e caçadores (CACs) cresceu 665% no Brasil, segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública.
VIOLÊNCIA NÃO LETAL
Em 2024, foram registradas 327,7 mil notificações de violência interpessoal contra mulheres no sistema de saúde.
As notificações de violência não letal registradas nos serviços de saúde incluem agressões físicas, psicológicas e sexuais. Também apontam os meios usados nas agressões, como força corporal, ameaças, armas de fogo e instrumentos perfurocortantes. A violência física e o espancamento são os tipos mais frequentes.




