Integrantes do Supremo Tribunal Federal que acompanham à distância o caos instalado na corte pelo andamento do inquérito que apura uma série de suspeitas de crimes vinculados ao banco Master têm criticado a condução do caso, cujo desfecho, agora, atestam, está no terreno do imponderável.
O vazamento de mensagens íntimas de Vorcado com sua ex-noiva e outros interesses amorosos foi citado por dois integrantes do STF à coluna como um “absurdo”.
“Em última instância”, registrou o magistrado, “trata-se de uma mulher, uma mãe, que teve sua intimidade absolutamente devassada para o país inteiro, passou a ser alvo de chacota e assédio às vésperas do 8 de março, sem que haja indício, até aqui, da eventual participação dela em qualquer ilícito”.
Um pacote de mensagens de Vorcaro foi entregue por ordem do Supremo à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que apura fraudes no INSS. De lá, os prints de algumas conversas do banqueiro ganharam o mundo e as redes sociais. O relator do caso é o ministro André Mendonça. Seria dele o dever, dizem os pares, de passar à PF as balizas para a remessa do material.
As comparações com a extinta Lava Jato também ganharam os corredores do Supremo, onde a discussão sobre os chamados “vazamentos seletivos” também corria solta.
Com dois de seus integrantes já alvejados pelos dados levantados com Vorcaro até aqui, ninguém esconde mais a preocupação sobre os impactos do caso na imagem da corte como um todo e na trajetória de alguns de seus principais membros, como o ministro Alexandre de Moraes.
“Está todo mundo com um gosto de guarda-chuva na boca”, resume um segundo integrante do tribunal. “Nós estamos no terreno do imponderável. Jogaram um míssil cujo raio de ação ninguém conhece”, conclui.
Com o caso em sigilo, os desmentidos de Moraes sobre o conteúdo de algumas mensagens que ele teria trocado com Vorcaro caíram no campo do “ele disse x ela disse”, o que impede um juízo de valor mais aprofundado do caso pelos pares. Até a noite de sexta-feira, o ministro não havia conversado longamente sobre o assunto com os colegas de plenário.
Nem a convocação de uma nova reunião fechada para debater os novos desdobramentos da apuração parece ser bem aceita: “Com ou sem gravação?”, reagiu um ministro com ironia à indagação da coluna. Era uma referência à desconfiança generalizada de que o último encontro, realizado quando era Dias Toffoli quem estava no centro da artilharia, tenha sido grampeado.




