Lead expandido (fato principal + impacto imediato)
A despeito de já ter gravado músicas para trilhas sonoras de filmes e séries ao longo dos últimos dez anos, o ator Gabriel Leone somente entra de fato em cena como cantor com o lançamento do primeiro álbum do artista carioca de 32 anos. E já chega chegando. Em rotação desde a última sexta-feira, 6 de março, em edição do selo MP,B, o álbum “Minhas lágrimas” é a prova de que mais valem um conceito e um intérprete sensível do que uma voz deslumbrante ou opulenta, mas sem alma.
Contexto aprofundado
Sim, Leone canta bem, é afinado e coloca apropriadamente a voz nas 10 músicas selecionadas no vasto baú de lados B da MPB. Contudo, o que eleva o álbum “Minhas lágrimas” são a inteligência do canto do intérprete – hábil no entendimento pleno do sentido dos versos a que dá voz – e a grandiosidade da produção musical orquestrada por Marcus Preto (principal incentivador do disco, no qual atuou como diretor artístico) e Tó Brandileone. Cordas e metais são utilizados de forma por vezes suntuosa, mas sem exibicionismos gratuitos, sendo postos a serviço dos sempre certeiros arranjos executados pela banda formada por Agenor de Lorenzi (piano, órgão e sintetizadores), Fábio Sá (baixo), Filipe Coimbra (guitarra), Sidmar Vieira (metais), Tiago Costa (cordas e metais), Vitor Cabral (bateria) e Will Bone (metais), além do produtor musical Tó Brandileone na guitarra, nas percussões e no violão. “Minhas lágrimas” é álbum situado no universo da MPB, mas também transita pelo rock de atmosfera indie.
Reações iniciais
“Minhas lágrimas” é álbum atravessado por desertos existenciais como o da música-título de Caetano Veloso, lançada pelo autor no álbum “Cê” (2006) e reavivada por Leone no fecho do disco, arrematando conceito que jamais se perde ao longo das dez faixas. Se Leone interioriza no canto o sofrimento entranhado nos versos de “Choro das águas” (Ivan Lins e Vitor Martins, 1977), em arranjo que parece derramar as lágrimas do eu-lírico da canção, “Segredo” (1986) é desvendado pelo ator-cantor na sala escura do sentimento com suingue funky na introdução do arranjo que evolui sinuoso como o cancioneiro de Djavan, autor dessa balada de acento blues conhecida somente pelos seguidores mais atentos do compositor.
Detalhamento do primeiro fato
À medida que avança, a gravação de “Cara limpa” ganha o peso do rock e vai ficando cada vez mais encorpada com profusão de cordas e metais até voltar para o minimalismo do início. “Posso lhe dizer que olho pra ela e nada sinto / Posso lhe dizer com a cara limpa enquanto minto”, canta Leone, vertendo no irretocável repertório de “Minhas lágrimas” o sentimento de resignação e/ou vazio que ecoa ao longo do disco.
Desdobramentos e conexões
Com alma de blues e aura de indie-rock, Leone encara o sentimento de inadequação e a fera da solidão no canto de “Assim sem mais” (João Bosco, Antonio Cícero e Waly Salomão), música lançada por João Bosco no álbum “Zona de fronteira”(1991). Na sequência, a gravação de “Bolero de Satã” (Guinga e Paulo César Pinheiro, 1976) corrobora a inteligência e a sensibilidade do canto de Leone no álbum. Afinado com o arranjo de timbres rascantes, o canto de Gabriel Leone verte lágrimas de sangue (sem cair no melodrama) no registro desse bolero difundido por Elis Regina em feat com Cauby Peixoto para o álbum “Elis, essa mulher” (1979).
Impactos imediatos
Enfim, no resumo dessa ópera do desamor, Gabriel Leone nasce oficialmente como cantor com grande álbum em que põe a voz a serviço das canções com a sensibilidade que o guia na travessia pelos desertos da alma. Capa do álbum ‘Minhas lágrimas’, de Gabriel Leone — Foto: Zabenzi com arte de Lucas Pires.
Segundo fato em profundidade
Em “Êta nóis” (Luhli e Lucina, 1984), Leone ameniza o sotaque caipira do tema, terçando vozes com Ney Matogrosso, intérprete original da música ambientada no universo rural recorrente na obra de Luhli & Lucina. Dentro do conceito afetivo do álbum, “Êta nóis” é a composição menos melancólica por lembrar que o fel da desamor um dia vira mel no milagre permanente da lida / vida.
Contexto e histórico
“As portas do meu sorriso” (1979), Leone abre espaço para o canto agudo de Juliana Linhares, convidada da gravação de tom country-folk dessa música composta por Fagner com Paulinho Tapajós por volta de 1971 e gravada anos depois em dueto apresentado no álbum de Paulinho Tapajós.
Consequências específicas
No resumo dessa ópera do desamor, Gabriel Leone nasce oficialmente como cantor com grande álbum em que põe a voz a serviço das canções com a sensibilidade que o guia na travessia pelos desertos da alma.
Desfecho ou decisão
Enfim, no resumo dessa ópera do desamor, Gabriel Leone nasce oficialmente como cantor com grande álbum em que põe a voz a serviço das canções com a sensibilidade que o guia na travessia pelos desertos da alma.
Análise e repercussão
Capa do álbum ‘Minhas lágrimas’, de Gabriel Leone — Foto: Zabenzi com arte de Lucas Pires. Enfim, no resumo dessa ópera do desamor, Gabriel Leone nasce oficialmente como cantor com grande álbum em que põe a voz a serviço das canções com a sensibilidade que o guia na travessia pelos desertos da alma.
Reflexão final e chamada para comentários
Capa do álbum ‘Minhas lágrimas’, de Gabriel Leone — Foto: Zabenzi com arte de Lucas Pires. Enfim, no resumo dessa ópera do desamor, Gabriel Leone nasce oficialmente como cantor com grande álbum em que põe a voz a serviço das canções com a sensibilidade que o guia na travessia pelos desertos da alma.




